04:28 22 Agosto 2017
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    Barack Obama, presidente dos Estados Unidos (EUA)

    Analista: política dos EUA pode levar a um novo 9/11

    © AP Photo/ Gerald Herbert
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    Estado Islâmico: pior ameaça mundial (299)
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    A abordagem negligente dos EUA em relação ao terrorismo pode provocar consequências sérias, semelhantes àqueles que aconteceram em 2001, quando as autoridades do país falharam em prevenir o surgimento da Al-Qaeda e não conseguiram evitar o atentado de 11 de setembro em Nova York, escreve um ex-analista da CIA.

    Segundo o ex-analista Fred Fleitz, a estratégia da Casa Branca na Síria e no Iraque nem sequer pode ser chamada de estratégia, porque é difícil fazer menos por países que vivem tempos de caos permanente. Segundo Fleitz disse ao canal norte-americano Fox News, parece que Obama quer deixar o problema para o presidente seguinte.

    Em dois anos, a administração do atual presidente norte-americano anunciou duas vezes sérias mudanças na sua posição em relação à crise síria e ao problema da ameaça do grupo terrorista Estado Islâmico. Mesmo assim, em ambas as vezes nada mudou além de tentativas de polir a reputação do governo dos EUA. Segundo explicou o especialista norte-americano, ambas as vezes a comunidade internacional tomou as tentativas como provas da fraqueza e indecisão dos Estados Unidos.

    A primeira mudança na política externa norte-americana aconteceu durante o discurso de Barack Obama em 10 de setembro de 2014, após uma série de execuções públicas realizadas por terroristas do Estado Islâmico. No discurso, ele anunciou que estava pronto para vencer os terroristas por meio de ataques aéreos a serem realizadas na Síria e no Iraque e também anunciou um plano de treinar e equipar rebeldes "moderados" e suportar o exército iraquiano. 

    "A falência da mudança de postura de setembro de 2014 foi óbvia logo após ter sido anunciada", declarou Fleitz.

    Os ataques aéreos não evitaram as vitórias do Estado Islâmico no terreno, admitiu o analista.

    A segunda mudança na postura norte-americana também não teve êxito. No outono do ano corrente, quando o programa de US $500 milhões dos EUA para treinar e equipar os grupos “moderados” falhou, a Rússia começou a operação aérea na Síria.

    “O presidente russo Putin ridicularizou e ignorou o  presidente Obama ao enviar forças russas à Síria”, disse Fleitz.

    Além disso, o especialista lembrou-se do acordo entre Rússia, Síria, Iraque e Irã de criar o centro de informações de inteligência.

    A resposta da administração de Obama à falência da sua política externa no Oriente Médio foi tal que esta poderá trazer ainda piores resultados, porque os EUA parecem não ter uma estratégia clara, segundo o analista norte-americano. Obama enviou "menos de 50" militares de elite para ajudar os rebeldes sírios. Em seguida, tornou-se público que as forças militares de elite norte-americanas consultaram os curdos, que têm seus próprios interesses na Síria, além de lutar contra o Estado Islâmico. E ainda mais, a Turquia tem mostrado o seu próprio descontentamento com o apoio dos EUA às forças curdas.

    Os aliados dos EUA compreendem que a política de Obama é somente uma forma de adiar até o seu mandato na presidência chega ao fim. E depois ele poderá dizer que, pelo menos, "tentou" fazer algo com a situação, explicou Fleitz. E é por isso que a dinâmica de forças no Oriente Médio está mudando.

    “A Rússia veio preencher o vácuo de poder na região e criar uma nova aliança com o Iraque, Irã e Síria. A Rússia melhorou os laços com Egito e Israel”, disse.

    De acordo com o ex-analista do CIA, a política presidencial norte-americana de “resistência inútil na luta contra o terrorismo” pode levar as consequências perigosas, até mesmo à repetição do cenário de 9/11.

    Tema:
    Estado Islâmico: pior ameaça mundial (299)
    Tags:
    terrorismo, estratégia, política, Vladimir Putin, Barack Obama, Oriente Médio, Rússia, EUA
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