04:24 22 Agosto 2017
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    O primeiro-ministro do Japão Shinzo Abe

    Opinião: desculpas do Japão pela Segunda Guerra Mundial são insuficientes

    © AFP 2017/ TOSHIFUMI KITAMURA
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    O discurso do premiê japonês, Shinzo Abe, dedicado ao 70º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, incluiu as palavras "agressão", "domínio colonial", "arrependimento profundo e cordial". Mas especialistas opinam que é insuficiente e a política do Japão deve ser mudada.

    Mais cedo Abe negou pedir desculpas pela agressão japonesa, notando que o governo atual não deve respeitar declarações e posições-chave de anteriores gabinetes. 

    Comentando o assunto à Sputnik, o membro do movimento para a coleta de um milhão de assinaturas contra a guerra Senzaki Yukiko opinou que quaisquer palavras serão insuficientes:

    “Acho que o problema é que tudo se limita a desculpas vazias, mas a política não muda. A posição do governo do Japão nas relações com a Coreia do Sul e a China por si mesma cria tensão. Acho que é errada. Acho que os problemas territoriais não devem ser adiados, porque isso só cria mais problemas”.

    Yukiko também opina que o país deve pedir desculpas pela agressão que causou, segundo dados chineses, mais de 35 milhões de vítimas só na China.

    “Eu acho que o governo do Japão certamente deve pedir desculpas pela agressão de grande escala e pelo número enorme de vítimas. O governo japonês limitou-se pelo acordo do pós-guerra com a Coreia do Sul sobre a segurança e até pagou compensações, mas negou realizar o tribunal. […] É preciso comunicar às próximas gerações a ideia de que o similar não deve se repetir”.

    No âmbito da situação, a agência Kyodo divulgou que o ranking do premiê japonês caiu 32%, marcando o nível mais baixo desde o início do seu segundo termo na pasta do chefe do governo em dezembro de 2012.  O especialista japonês disse:

    “O premiê Abe, apesar de protestos da maioria da população empurra leis da defesa, provocando o sentimento de perigo em povos da Ásia. Por isso acho que é errado se limitar só pelas palavras, é preciso mudar a política japonesa.”

    Na tarde de 14 de agosto, emissoras radiofônicas japonesas anunciaram insistentemente que o imperador Hirohito do Japão faria uma importante Proclamação Imperial sobre a condução da guerra ao povo japonês. Em 15 de agosto de 1945, o imperador anunciava solenemente a rendição incondicional de seu país na Segunda Guerra Mundial. 

    Comentando o assunto à Sputnik, o ex-diretor do Fundo Monetário do Japão, ex-vice-ministro de Finanças japonês, Daisuke Kotegawa, disse que não é o discurso que tem importância, senão a política do país.

    “Acho que o discurso de Abe não influirá a política japonês de modo algum. O que é realmente importante do ponto de vista político são emendas às leis da defesa, que estão sendo discutidos no Parlamento. A oposição as chama de ‘leis de guerra’. É o que realmente importante”.

    O especialista também opinou que o discurso foi coordenado pelas chancelarias dos dois países antecipadamente.

    “As relações entre o Japão e a China chegaram ao nível em que eles não podem mais brigar e antes de tornar público o discurso de Abe, foi combinado pelas chancelarias dos dois países. […] Porém, provavelmente não foi combinado com a Coreia do Sul”.

    A China se lembra dos heróis que deram vidas pela libertação dos agressores japoneses e agora duramente nega quaisquer tentativas de falsificar a história da Segunda Guerra Mundial. A declaração foi feita pelo embaixador da China na Rússia, Li Hui, durante o encontro com jornalistas russos na sexta-feira (14).

    Ao responder a uma pergunta da Sputnik, o embaixador disse que ações militares na China foram as mais duras – de 1931 a 1945. E durante a luta de 14 anos o país sofreu grandes danos, não só número enorme de vítimas, mas também perdas financeiras que totalizaram 700 milhões de dólares. 

    “Tendo em conta este fato, torna-se clara a escala da festa dedicada a 70º aniversário da Vitória, inclusive a Parada militar em Pequim”.

    Li Hui destacou especialmente que para a China isso não é uma demonstração de força, senão um apelo à comunidade internacional à paz e à importância de não esquecer as lições da Segunda Guerra Mundial.

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    Tags:
    Segunda Guerra Mundial, segurança, Shinzo Abe, Coreia do Sul, Japão
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