11:47 22 Outubro 2017
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    Membros do movimento 'Morte ao EI e aos terroristas', Afeganistão

    Lider antiterrorista: 'Quem apoia Talibã, apoia o EI'

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    Durante vários meses, a situação muito tensa no Afeganistão é agravada pela ativação de militantes do Estado Islâmico (EI) em um número de províncias.

    Segundo Sputnik Dari e Sputnik Pashto, a primeira célula do EI no Afeganistão foi estabelecida na província de Helmand, no sul do país. Foi liderada por um dos chefes militares  do Talibã, Mullah Rauf Khadem. Depois disso, as pessoas com bandeiras negras começaram a aparecer progressivamente em outras partes do país. Especialistas acreditam que o EI está extremamente interessado em espalhar sua influência na Ásia Central. Por isso os militantes tentam concentrar as suas forças nas províncias do norte do Afeganistão, perto das fronteiras com o Turquemenistão, Uzbequistão e Tajiquistão. 

    Forças de segurança afegãs
    © AFP 2017/ SHAH MARAI / AFP

    O governo, junto com as forças internacionais de segurança (ISAF), ainda não tem condições para se opor aos militantes do EI que assaltam aldeias e matam civis.

    Movimento antiterrorista

    Nesse caso as tropas da milícia popular chegam a salvar a situação. Há alguns meses que apareceu o movimento chamado "Morte ao EI e aos terroristas!". Em entrevista à Sputnik Dari, o líder do movimento, Haji Mohammad Mahdiyar, contou como a milícia popular do Afeganistão combata contra o Estado Islâmico.

    "Hoje, nosso movimento já conseguiu declarar-se em várias províncias do Afeganistão. Inicialmente, a nossa sede estava com base no norte do país, e hoje nós temos muitos adeptos em todo o Afeganistão. O país tem estado em guerra há mais de 37 anos seguidos. Depois da retirada das tropas soviéticas e da declaração de que o Taliban foi derrubado, apareceu uma luz de esperança entre o nosso povo que a guerra terminou. Foi estabelecido um parlamento e eleito um presidente".

    Mahdiyar explica que o objetivo do seu movimento é suprir a falta das forças no combate ao terrorismo, já que nem as tropas estrangeiras, nem as nacionais têm a capacidade de combatê-lo:

    "As tropas estrangeiras permanecem no país. Mas nem elas, nem os 350 mil militares afegãos não são capazes de resistir aos militantes talibãs novamente aparecidos e não podem combater efetivamente a ameaça terrorista do Estado Islâmico. Nós criamos o nosso movimento popular voluntário para mostrar ao mundo que é possível contrapor ao terrorismo. Eu e os meus colegas querem apoiar o governo na luta contra o terrorismo, chamar a atenção para as nossas ações em Cabul e obter apoio real".

    "Sim, estávamos muito mal armados, mas percebemos que hesitar equivale a morte. Nós decidimos lutar, literalmente, com as mãos nuas, desarmados", frisa Mahdiyar, acrescentando: "Quando criámos nosso movimento nós fomos 5 mil pessoas só no norte do país. Agora o nosso número somos duas vezes maior".

    Lider do movimento 'Morte ao EI e aos terroristas' Haji Mohammad Mahdiyar (segundo da direita) e seus membros
    © Foto: Haji Mohammad Mahdiyar
    Lider do movimento 'Morte ao EI e aos terroristas' Haji Mohammad Mahdiyar (segundo da direita) e seus membros

    O militante comentou ainda que o EI nem só alveja o Levante clássico, território onde está atuando agora, mas procura dominar os países da Ásia Central e persegue, no futuro, "a desestabilização da situação na Rússia".

    "Para mim pessoalmente, não há diferença entre um talibã e um militante do EI. São todos terroristas. Quem apoia o Talibã, apoia o EI. Eles têm um patrocinador comum. Recentemente, as negociações começaram entre o governo do Afeganistão, Paquistão e os talibãs. Mas infelizmente nós não cremos neles. Essas negociações não vão dar nenhum resultado. E nós, do movimento "Morte ao EI e aos terroristas!", continuamos a nossa guerra de libertação", ressalta.

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    Tags:
    terrorismo, Taliban, EI, Estado Islâmico, Afeganistão
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