01:40 19 Outubro 2017
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    NSA pode ter beneficiado interesses de petrolíferas americanas no Brasil

    © AP Photo/ Hasan Jamali
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    No passado sábado, a WikiLeaks revelou a lista de 29 políticos, diplomatas e banqueiros do Brasil que haviam sido alvo de espionagem sistemática pela NSA estadunidense, questão que levou ao agravamento das relações diplomáticas entre os dois países em 2013.

    Os novos documentos vazados mostram, sobretudo, a presença predominante de altos responsáveis em questões financeiras e econômicas do país, o que faz pensar que o interesse norte-americano estará mais centrado em questões econômicas e, mais concretamente, em empresas petrolíferas e nas valiosas jazidas do Pré-Sal.

    Em entrevista à Sputnik, David Michael Miranda, coordenador no Brasil da campanha de concessão de asilo político a Edward Snowden e parceiro do jornalista norte-americano Glenn Greenwald que revelou o escândalo de espionagem da NSA, declarou que “existem provas suficientes para pensar que empresas americanas e britânicas beneficiaram com a espionagem da NSA”.

    “É curioso que, em finais de 2013, pouco depois de rebentar o escândalo de espionagem, houve um leilão para participar da exploração de uma das jazidas do Pré-Sal e nenhuma das quatro empresas americanas e britânicas concorreu”, explica David Miranda, referindo-se ao leilão do campo de Libra, uma das maiores reservas do Pré-Sal brasileiro, organizado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em setembro de 2013. 

    Naquela altura, as americanas Exxon Mobil e Chevron, assim como as britânicas British Petroleum (BP) e British Gas (BG) mantiveram-se inexplicavelmente fora do leilão, deixando o caminho livre às chinesas CNOOC International Limited e China National Petroleum Corporation, à anglo-holandesa Shell, à espanhola Repsol e à francesa Total.

    David Miranda, falando sobre a cronologia dos documentos fornecidos por Edward Snowden ao seu companheiro Glenn Greenwald e que abarcam o período entre finais de 2010 e princípios de 2011, indicou:

    “Suspeitamos que as empresas dos países envolvidos na rede de espionagem organizada pelos Estados Unidos (os chamados “Cinco Olhos”) poderão ter beneficiado de informações privilegiadas sobre as oportunidades de negócio no Brasil desde os governos de Lula da Silva".

    “O que foi publicado no sábado é parte do material que obtivemos, agora estamos elaborando alguns artigos com a Argentina, por isso não posso precisar quando voltaremos ao assunto do Brasil”, disse David Miranda, que trabalha em parceria com Greenwald a partir da casa de ambos no Rio de Janeiro.

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    Tags:
    diplomacia, espionagem, petróleo, Agência Nacional de Segurança (NSA), WikiLeaks, EUA, Brasil
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