17:33 21 Novembro 2017
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    Área destruída por ataques da coalizão internacional liderada pela Arábia Saudita no Iêmen

    Plano do Irã pode salvar Iêmen

    © AP Photo/ Hani Mohammed
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    O plano de pacificação proposto pelo Irã é completamente "viável", diz movimento xiíta no Iêmen. No entanto, A Arábia Saudita, apoiada pelos EUA, continua a sua intervenção militar.

    Aiatolá Ali Khamenei
    © AP Photo/ Office of the Iranian Supreme Leader
    "O plano do Irã não contém nenhum item inaceitável, portanto pode ser considerado como uma opção viável de solução da crise no país", salientou um membro do Conselho político do movimento xiíta Ansarullah, Ali Al-Emad.

    Plano para salvar Oriente Médio

    O chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, tinha apresentado, durante uma conferência em Madri (Espanha), mais cedo nesta semana, um plano de quatro itens para a solução pacífica da situação no Iêmen.

    A iniciativa foi divulgada pela primeira vez nos inícios de abril pelo vice-chanceler iraniano para assuntos da África e dos países árabes, Hossein Amir Abdollahian.

    A proposta iraniana prevê diálogo político no Iêmen, fornecimento de ajuda humanitária, trégua e formação de um novo governo no país.

    Situação no Iêmen
    © REUTERS/ Khaled Abdullah
    Segundo Seyed Hadi Afghahi, especialista em Oriente Médio e ex-funcionário da embaixada iraniana no Líbano, comenta que a proposta atual do Irã sistematiza a posição mantida desde o início do conflito no Iêmen:

    "O plano de solução da crise iemenita proposta pelo Irã inclui itens que já tinham sido sugeridos por Teerã ainda na fase inicial do conflito. Desde então, a posição do Irã não mudou e foi formulada em termos de estratégia: colocar as partes do conflito político interno no Iêmen na mesa de negociações e conseguir o fim dos ataques aéreos contra o país por vários países árabes sob a liderança da Arábia Saudita. São estas propostas que constituem a base do 'plano de Abdollahian'".

    O "plano de Abdollahian" pode ser resumido da seguinte maneira: "Primeiro, o cessar-fogo deve ser declarado e estabelecido. Depois, as partes devem começar um diálogo que irá se transformar em negociações patrocinadas pela ONU. Quer dizer, todas as partes do conflito [devem participar das negociações]".

    É de notar que o Irã já sugeriu este plano como um meio de estabilização na Síria.

    Situação no Iêmen em 16 de abril de 2015
    © Sputnik/
    Situação no Iêmen em 16 de abril de 2015

    Riad, fantoche dos EUA

    No entando, comenta Afghahi, a única reação da Arábia Saudita foi a declaração sobre o êxito dos bombardeios de Sanaa (capital do Iêmen). Porém, o autor dos bombardeios talvez não compreenda quem está por trás de toda a situação na península:

    "Riad e seus aliados estão tendo agora um verdadeiro minuto da fama: eles se sentem os grandes vencedores, eles estão na boca de todos, eles não planejam parar. Mas nós ainda nos lembramos do fracasso estrondoso em que terminou a anterior agressão da Arábia Saudita contra o Iêmen em 2009. O [príncipe Saud] al-Faisal não compreende totalmente que ele é um fantoche nas mãos dos EUA e de Israel, que têm derrubado sistematicamente os regimes que não os satisfazem, e com os regimes, a vida pacífica no Oriente Médio. Foi assim com o Iraque, Síria, Líbia. Agora, é o turno do Iêmen".

    Vale lembrar também que os EUA têm acusado o Irã de fornecer armamentos aos Houthis no Iêmen, preferindo ignorar as iniciativas de pacificação que este país propõe à região.

    No entanto, as Nações Unidas também manifestam-se a favor de uma solução política do conflito iemenita, apelando para o fim da violência. Uma declaração respetiva foi feita na quinta-feira pelo secretário geral do organismo, Ban Ki-moon.

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    Tags:
    intervenção militar, conflito, Península Arábica, Iêmen, Irã, Arábia Saudita
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