04:30 20 Outubro 2020
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    Na terça-feira (29), Ancara anunciou apoiou a Baku tanto nas negociações como em combate, avisando que qualquer ataque ao Azerbaijão seria, de igual modo, visto como ataque à Turquia.

    O presidente francês, Emmanuel Macron, estipulou que as declarações turcas diante do conflito armado em Nagorno-Karabakh são perigosas e carregadas de retórica de guerra.

    "Reparei nas declarações políticas da Turquia [a favor do Azerbaijão], que acredito serem precipitadas e perigosas", afirmou. "Vou falar com o presidente [da Rússia, Vladimir] Putin hoje [30] e, talvez, com o presidente [dos EUA, Donald] Trump amanhã [1º], sobre este assunto, para que possamos discutir ideias e achar uma solução para sair desta crise", afirmou o presidente francês durante coletiva de imprensa em Riga, Letônia.

    Ao mesmo tempo, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, afirmou que Ancara fará tudo "o que for necessário" se o Azerbaijão pedir apoio militar. Hoje (30) Cavusoglu ainda comentou que "se o presidente Macron não se preocupa com [a situação] dos territórios azeris, então sua solidariedade com a Armênia significa suporte à ocupação".

    Foto feita no interior de casa mostra severos danos causados por bombardeio realizado por tropas azeris em Martuni, Nagorno-Karabakh
    © REUTERS / Ministério das Relações Exteriores da Armênia
    Foto feita no interior de casa mostra severos danos causados por bombardeio realizado por tropas azeris em Martuni, Nagorno-Karabakh

    Ancara e Baku

    O ministro das Relações Exteriores turco voltou a reiterar seu posicionamento, tendo na terça-feira (29) afirmado que Ancara estaria pronta para suportar o Azerbaijão durante o conflito.

    "Queremos que o assunto [sobre Nagorno-Karabakh] se resolva o mais cordialmente possível. Temos nos emprenhado muito para que isso aconteça, mas foi tudo em vão. Estivemos sempre do lado do Azerbaijão – tanto no campo de batalha como na mesa de negociações. Vamos continuar com nossa solidariedade", declarou Cavusoglu, adicionando que a ocupação de territórios azeris pela Armênia é inaceitável.

    Os conflitos entre Armênia e Azerbaijão começaram no domingo (27) com ambos os lados trocando ameaças de agressão na linha de controle, e declarando mobilização (parcial para Baku, e total para Erevan). As forças azeris lançaram contra-ataque, justificando que as forças armênias as atacaram primeiro, acusações, por sua vez, negadas por Erevan, também relembrando que Baku atacou cidades e forças armênias.

    Nagorno-Karabakh, território autônomo com população de maioria armênia, se declarou independente em 1991 da República Socialista Soviética do Azerbaijão. Tal feito levou a confrontos militares que duraram até 1994, quando ambos os lados concordaram em começar conversações para atingir paz, mediadas pelo Grupo Minsk da OSCE. Nagorno-Karabakh permaneceu sendo uma república não reconhecida, e as relações entre Baku e Erevan têm, igualmente, permanecido tensas.

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    Tags:
    Mevlut Cavusoglu, Emmanuel Macron, OSCE, conflito armado, Nagorno-Karabakh, Azerbaijão, Armênia
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