10:09 28 Setembro 2020
Ouvir Rádio
    Europa
    URL curta
    Por
    2190
    Nos siga no

    O Ministério da Agricultura de Portugal confirmou que o país entrou na lista de destinatários dos misteriosos pacotes com sementes, que são enviados do continente asiático pelos correios para pessoas que não fizeram nenhuma encomenda do tipo.

    Nesta quarta-feira (2), a ministra Maria do Céu Antunes explicou a jornalistas, durante um compromisso de agenda, que "chegam às caixas de correio das pessoas umas embalagens que não dizem que são sementes, algumas falam em bijuterias".

    Um dia antes, o ministério português já havia emitido um alerta oficial com mais detalhes da situação. "As embalagens não estão identificadas como contendo sementes e, para além das sementes de várias espécies vegetais, constatou-se que estas poderão ainda conter solo, larvas mortas ou, ainda, estruturas de fungos", lê-se no texto.

    Marketing fraudulento ou ataque?

    Outros países europeus, como França e Reino Unido, também confirmam o recebimento das sementes, que chegaram primeiro aos Estados Unidos, ainda em julho, em pacotes com origem na China.

    De acordo com o Departamento de Agricultura norte-americano, os envios fazem parte de um esquema internacional para fraudar sites de comércio on-line. Vendedores estariam criando usuários falsos para aumentar o número de vendas e ganhar avaliações positivas. "Quanto mais transações um vendedor realizar, maior será sua classificação e maior será a probabilidade de seus itens aparecerem no topo dos resultados de pesquisa em um site de comércio eletrônico", lê-se na seção de perguntas e respostas do departamento.

    O governo dos Estados Unidos está trabalhando com autoridades chinesas para "descobrir quem está enviando e, mais importante, para interceptar futuros pacotes", disse Osama El-Lissy, representante do Departamento de Agricultura, em entrevista no mês de agosto.

    Sementes não solicitadas que chegaram pelo correio, relatadas por um cidadão dos EUA ao Serviço de Inspeção Sanitária Animal e Vegetal do Departamento de Agricultura dos EUA (APHIS, na sigla em inglês), sem data
    © REUTERS / Serviço de Inspeção Sanitária Animal e Vegetal do Departamento de Agricultura dos EUA / Handout
    Embalagens de sementes da China

    Risco sanitário

    Mesmo que não se trate de uma ação de bioterrorismo, possibilidade levantada inicialmente e que assustou muitos receptores dos pacotes, as sementes estrangeiras podem significar um grande risco sanitário.

    Mestre em Fitopatologia pelo Instituto de Microbiologia Forense e Biossegurança da Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, a agrônoma Beatriz Mazziero explica que as sementes podem ser potenciais transportadoras de novas doenças.

    "Elas podem carregar um fungo ou uma bactéria que não afete cultivos no lugar de origem, mas que, em outro ambiente, pode se tornar extremamente agressiva. É aí onde acontecem os 'outbreaks', que são perdas de culturas inteiras", diz Mazziero à Sputnik Brasil.

    "Um exemplo disso é uma doença que existe no cacau, a 'vassoura de bruxa'. Foi um patógeno trazido de fora, existem várias suposições sobre como realmente aconteceu, mas aqui no Brasil virou um problema. Até hoje os produtores de cacau tem muita dificuldade para controlar", explica a agrônoma.

    Outro problema que pode ocorrer é que as sementes estrangeiras, se cultivadas, se tornem espécies invasoras, que acabam dominando um ambiente e matam as espécies nativas de uma região.

    As orientações dos países que têm recebido os pacotes asiáticos são para que a população não descarte as sementes no lixo comum, nem plante, e entre em contato com os serviços de agricultura para fazer a entrega do material.

    Mais:

    Desabamento de restaurante deixa quase 30 mortos no norte da China
    Trump considera banir gigante chinês Alibaba nos Estados Unidos
    União Europeia não alcança consenso sobre sanções contra Bielorrússia e Turquia
    Tags:
    Estados Unidos, EUA, agricultura, China, Portugal
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar