06:34 12 Dezembro 2018
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    Manifestantes constroem uma barricada durante um protesto dos Coletes Amarelos (Gilets jaunes) contra o aumento dos preços do petróleo e os custos de vida.

    Ativista: Extremistas estão desestabilizando 'coletes amarelos' para prolongar o caos

    © AFP 2018 / Abdulmonam Eassa
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    O movimento de protestos da França está sendo sequestrado por extremistas da direita e da esquerda que querem usá-lo como instrumento de desestabilização, disse Rodolphe Kujawa, ativista dos protestos em entrevista à Sputnik França.

    "Esse amálgama que surgiu agora serve para desestabilizar o movimento. Diferentes atores estão tentando tirar proveito desse movimento, porque há pessoas por trás dele com um grande poder", defende.

    Kujawa acredita não existir uma linha de comportamento comum, já que tanto sindicatos quanto a extrema-direita se juntaram ao movimento.

    O primeiro-ministro Edouard Philippe cancelou uma reunião com membros do movimento de "coletes amarelos" na terça-feira depois destes receberem ameaças de morte.

    Kujawa confirmou à Sputnik que ativistas que defendem objetivos mais liberais estão sendo ameaçados em redes sociais e por mensagens de texto.

    "Os grupos de extremistas estão por trás dessas ameaças destinadas a desestabilizar o movimento. O movimento hoje é um movimento de desestabilização", disse ele.

    Quatro pessoas foram mortas nos distúrbios desde o início dos protestos. As passeatas começaram contrárias  aos aumentos nos impostos sobre combustíveis, mas desde então se ampliaram para incluir demandas de  estudantes, médicos e outras categorias. Isso levou a confrontos com a polícia em Paris no fim de semana.

    Na tentativa de conter a insatisfação popular, o governo revogou o aumento do diesel por seis meses. O premiê francês anunciou a medida na terça-feira, depois de semanas de violentos protestos que aumentaram a rejeição nacional contra uma série de políticas econômicas. Para Rodolphe Kujawa, porém, a medida "é muito curta e só prolongará o inevitável".

    "Acho que o adiamento tem que ser muito mais longo. Precisamos congelar o imposto por pelo menos um ano", disse ele, acrescentando que isso provaria que as autoridades "realmente estão dispendendo tempo para pensar em melhorias".

    Kujawa diz ainda que agora a população espera participação mais direta na formulação de medidas de efeito amplo e um fim às reformas impopulares.

    "Acho que não será suficiente para acalmar [o povo] porque as pessoas querem mais hoje".

    O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que o aumento de impostos faz parte da transição ecológica da França. Sua aprovação bateu um novo recorde negativo na terça-feira, de acordo com uma pesquisa da Ifop. Eleito como a grande novidade da política francesa, Macron é aprovado agora por 23% da população, o menor nível desde o início do governo.

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    Tags:
    Sputnik França, Emmanuel Macron, Edouard Philippe, Rodolphe Kujawa, França
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