19:34 10 Dezembro 2018
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    Theresa May, primeira-ministra britânica

    May luta para manter Brexit e seu cargo como premiê

    © AP Photo / Mark Lennihan
    Europa
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    A primeira-ministra britânica, Theresa May, estaá lutando nesta quinta-feira (15) para salvar seu acordo de Brexit e seu trabalho, enquanto ministros abandonaram seu governo e uma crescente lista de legisladores pede sua renúncia.

    O acordo duramente conquistado enfureceu os membros pró-Brexit de seu partido. Eles dizem que o acordo, que exige laços comerciais estreitos entre o Reino Unido e o bloco, tornaria a Grã-Bretanha um Estado vassalo, ligado às regras da União Européia e sem poder influenciar esses termos.

    Em discurso desafiador, May insistiu que Brexit significava "fazer as escolhas certas, não as mais fáceis" e pediu aos legisladores que apoiassem o acordo pelo "interesse nacional". Ela disse que o acordo é melhor para os negócios, pois ajudaria a manter o comércio fácil com a Europa e reduziria a incerteza.

    Mas ela foi enfraquecida pela renúncia de dois ministros do gabinete, incluindo o secretário do Brexit Dominic Raab. Horas depois que ele sentou na reunião que aprovou o acordo, Raab disse que "não pode em boa consciência" apoiá-lo.

    A secretária de Trabalho e Pensões, Esther McVey, seguiu Raab e também abandonou a premiê. Ela disse em uma carta que "não é bom tentar fingir que este acordo honra o resultado do referendo quando é óbvio para todos que isso não acontece".

    Em outro golpe contra May, o líder do pró-Brexit Jacob Rees-Mogg pediu que a permanência da premiê fosse alvo de votação no Parlamento porque o Brexit foi "pior do que o previsto".

    Do lado de fora do Parlamento, Rees-Mogg disse que o acordo "não é Brexit" porque manteria a Grã-Bretanha em uma união aduaneira com a UE, potencialmente por um período indefinido.

    A permanência da premiê no cargo poderã ser decidido por um voto de não confiança no Parlamento. As regras do Partido Conservador definem que um voto de não confiança poderá ser levado ao plenário caso 15% dos legisladores do partido escrevam uma carta ao comite partidário.

    Só o presidente do comitê, Graham Brady, sabe ao certo quantas cartas foram enviadas, mas a carta de Rees-Mogg provavelmente estimulará outros a fazer o mesmo.

    Rees-Mogg negou que esteja articulando um golpe partidário.

    "Um golpe é quando você usa processos ilegítimos", disse ele. "Isso é trabalhar por meio dos procedimentos do Partido Conservador".

    Ele pediu que May fosse substituída por um político mais pró-Brexit, nomeando o ex-ministro das Relações Exteriores Boris Johnson, o ex-secretário Brexit David Davis e Raab como potenciais sucessores.

    Se uma votação de não confiança for realizada e May perder, isso desencadearia uma disputa de liderança partidária na qual qualquer legislador do Partido Conservador pode concorrer. O vencedor se tornaria primeiro-ministro sem a necessidade de uma eleição nacional.

    A turbulência provocou uma grande queda no valor da libra esterlina. Investidores temem que a saída da União Europeia poderá impor impostos às exportações britânicas, reinstalar controles de fronteira e restrições a turistas e trabalhadores — uma combinação potencialmente tóxica para as empresas.

    Uma preocupação crescente com a aproximação do dia Brexit é que as empresas irão promulgar planos de contingência que podem incluir o corte de empregos, estocagem de mercadorias e realocação da produção no exterior.

    May e seus partidários dizem que as alternativas ao seu acordo — deixar o bloco sem um acordo ou uma segunda votação no Brexit — não são opções realistas.

    "A escolha é clara", disse May aos legisladores. "Podemos optar por sair sem acordo. Não podemos arriscar o Brexit. Ou podemos optar por nos unir e apoiar o melhor negócio que pode ser negociado — este acordo."

    A notícia de que um acordo foi fechado depois de um ano e meio de negociações foi bem-vinda em Bruxelas e o chefe da UE, Donald Tusk, convocou uma cúpula de líderes em 25 de novembro para que possa carimbar o acordo.

    Tusk não quis comentar os últimos acontecimentos vindos de Londres.

    "Tudo o que posso dizer é que a União Europeia está preparada para um acordo final com o Reino Unido em novembro", disse ele.

    O acordo precisa da aprovação do Parlamento britânico antes do Reino Unido deixar o bloco em 29 de março — e mesmo se May sobreviver como líder, as chances disso parecem estar encolhendo.

    Seu governo conservador não tem parlamentares suficientes para obter a maioria e conta com o apoio do Partido Democrático Unionista da Irlanda do Norte, que diz que não apoiará o acordo.

    O líder da agremiação no Parlamento, Nigel Dodds, disse que a "escolha" era clara.

    "Defendemos o Reino Unido, todo o Reino Unido, a integridade do Reino Unido, ou votamos por um Estado vassalo com o colapso do Reino Unido, essa é a escolha."

    Os partidos da oposição também sinalizaram que votariam contra o acordo.

    O principal líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, disse que o governo deveria retirar a proposta de um acordo "meia boca" e que o Parlamento "não pode e não irá aceitar uma falsa escolha entre esse acordo e um não acordo".

    Ian Blackford, que lidera o Partido Nacional Escocês no Parlamento, disse que o acordo está "morto na chegada" e pediu a May que "pare o relógio e volte a Bruxelas".

    Um funcionário da UE alertou que a Grã-Bretanha não conseguiria um acordo melhor. Falando sob condição de anonimato porque o processo ainda está em andamento, o funcionário disse que ambos os lados "esgotaram nossa margem de manobra sob nossos respectivos mandatos". O acordo também requer o consentimento do Parlamento Europeu. Seu chefe do Brexit, Guy Verhofstadt, saudou o acordo preliminar como "o melhor acordo que poderíamos obter". Verhofstadt previu que o Parlamento da UE poderia aprovar o acordo no início do próximo ano, bem a tempo do dia Brexit.

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    Tags:
    Theresa May, Reino Unido
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