15:23 20 Novembro 2017
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    Treinamentos da flotilha da Frota do Cáspio

    Conheça a história dos marinheiros que salvaram Iugoslávia e hoje lutam contra Daesh

    © Sputnik/ Denis Abramov
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    A Flotilha Soviética do Danúbio teve um papel importantíssimo na libertação de Iugoslávia dos nazistas em 1944, isto é um fato histórico amplamente conhecido. Porém, poucos sabem que, graças a isso, Belgrado, mesmo indiretamente, também participou da... campanha contra o Daesh, organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países.

    O caso é que uma das brigadas da atual Flotilha do Cáspio é a sucessora direta da 327ª divisão da Guarda de Lanchas de Artilharia, que se destacou durante a libertação da capital iugoslava na época da Segunda Guerra Mundial fazendo parte da Flotilha Soviética do Danúbio e lhe tendo sido atribuído o nome honorífico "Divisão de Belgrado" por sua bravura.

    Em 1996, a divisão foi integrada na brigada da Guarda Costeira da Flotilha do Cáspio, enquanto em 2012 a brigada recebeu o título de "Guarda" e a denominação honorífica "de Belgrado".

    Na época, em 1944, a arma da vitória foram as lanchas blindadas fluviais do projeto 1125.

    Os marinheiros soviéticos conduziam combates desgastantes contra as tropas de Hitler. A fase mais difícil decorreu perto da cidade sérvia de Smederevo, onde estavam posicionadas tropas de elite alemãs, o grupo de corpos de exército Stettner e, claro, os combates nas cercanias de Belgrado.

    O analista de assuntos militares e historiador sérvio, Aleksandar Radic, falou com a Sputnik Sérvia e destacou que as lanchas soviéticas, sobretudo atacavam os canhões alemães localizados no município de Zvezdara.

    Lá, na colina onde se encontra o observatório, estava entrincheirado o inimigo que por muito tempo tinha conseguido resistir ao Exército Vermelho. Até os navios soviéticos conseguirem chegar desde o Danúbio para atacar os alemães, a infantaria não conseguia alcançar Belgrado a partir da direção de Smederevo.

    Os vestígios de destruição no edifício do observatório são uma evidência clara da violência dos combates da altura.

    "Em outubro de 1944, os marinheiros soviéticos deveriam passar junto aos destroços da ponte de Panchev, de onde os alemães os estavam atacando. As lanchas avançavam em direção à ponte de Sava, a única ponte ilesa que era necessário salvar a qualquer preço. As lanchas russas eram verdadeiros tanques na água, tinham torres de tanques T-34, os mais conhecidos na história", contou Radic.

    "Considera-se que até 22 de outubro a Flotilha do Danúbio eliminou 20 baterias alemãs, um trem blindado, três armazéns com armas, bem como colocou fora de combate cerca de 1.500 soldados alemães, e tudo isso sem perdas, exceto os danos sérios aos navios", continuou, falando sobre a coragem da 327ª divisão de Lanchas de Artilharia de Belgrado.

    Concluída a batalha por Belgrado, a Flotilha do Danúbio continuou ajudando a guerrilha na luta pela libertação do país, enquanto uma parte dos navios foi para o norte, à Hungria.

    A flotilha fez parte da Marinha da URSS até o ano de 1960 e a Divisão de Belgrado da Guarda foi incorporada na brigada da Flotilha do Cáspio em 1996. Já em 2015, a partir do mar Cáspio começaram a ser lançados os primeiros mísseis Kalibr dirigidos contra o Daesh na Síria.

    "Hoje em dia, os herdeiros da divisão 'de Belgrado' estão protegendo o porto da cidade de Astrakhan, patrulhando o mar do Cáspio e se ocupam de medidas antissabotagem. No caso de um conflito militar, eles devem dar apoio de fogo aos navios que atacam os alvos inimigos com mísseis", resume o historiador sérvio.

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    lancha, flotilha, Frota do Cáspio, Daesh, Iugoslávia, Rússia
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