22:56 21 Novembro 2019
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    Neutralidade militar: por que OTAN adula a Sérvia?

    © AFP 2019 / Brendan Smialowski
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    É interessante ver como muda o tom dos relatórios da OTAN quando se trata da Sérvia. Ainda no fim de maio, em Tbilisi, o parlamentar britânico Richard Benyon classificou no seu relatório a Sérvia como o maior culpado por o diálogo de Belgrado com Pristina ter congelado.

    No resultado, a parte sérvia classificou este documento como escandaloso. E 4 meses depois, em Bucareste, a Assembleia Parlamentar da OTAN se mostrou completamente satisfeita com a situação de segurança. O chefe da delegação do parlamento sérvio Dragan Sormaz confirmou a falta de repreensões.

    18 ͦ aniversário do bombardeamento da Iugoslávia pela OTAN em 1999, 24 de março de 2107
    © AP Photo / AP Photo/Darko Vojinovic
    De acordo com o analista político Dragomir Andjelkovic, o Ocidente começa alterando a sua atitude em relação à Sérvia por causa do enfraquecimento evidente de suas posições nos Bálcãs e do reforço do papel da Turquia.

    "Enquanto a Sérvia foi tratada como uma espécie de protetorado, que não tem espaço de manobra, o país foi pouco considerado e não despertava interesse. Agora, quando se descobriu que Belgrado tem alternativas geopolíticas, foi iniciada uma espécie de servilismo suave na tentativa de afastar a Sérvia da Rússia e de outras forças que estão fora da dominação euroatlântica. A única opção para nós é continuar balançando e desenvolvendo as melhores relações possíveis com a Rússia e com outras forças não ocidentais, bem como com os centros de poder ocidentais", comentou Andjelkovic à Sputnik Sérvia.

    Analista militar Miroslav Lazanski, por sua vez, acrescentou que o relatório da OTAN não tem interesse para ele, bem como para 80% dos cidadãos.

    "Estamos mantendo a neutralidade militar, e eles agora podem estar adulando para que aceitemos uma cooperação mais estreita com a Aliança. Eles vão fazer tudo para que sigamos a sua política, mas Belgrado tem que se manter atenta e dosear suas relações com a OTAN", precisou Miroslav Lazanski à Sputnik Sérvia.

    Todos os elogios da OTAN não alteram a posição da Sérvia, que mantém a neutralidade militar em relação à OTAN, afirmou ele, acrescentando que não considera valer a pena sobrestimar a Assembleia Parlamentar da OTAN.

    "Não são eles que tomam decisões. Sabe-se quem tem a última palavra. A Assembleia Parlamentar sobretudo é necessária para gastar ajudas de custo, viajar pela Europa e pernoitar nos bons hotéis", frisou ele.

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    Tags:
    segurança, aliança militar, cooperação, relatório, analista, neutralidade, política, OTAN, Europa, Sérvia
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