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    Hoje (7), a França presta homenagem às vítimas do aterrorizante atentado a redação do semanário satírico francês, Charlie Hebdo.

    Nevoeiro no centro de Londres
    © REUTERS / Olivia Harris/Files
    Há dois anos, em 7 de janeiro de 2015, dois terroristas invadiram o escritório da revista Charlie Hebdo, em Paris, e abriram fogo contra os jornalistas. O ataque causou a morte de 12 pessoas. Passados dois dias, os terroristas foram mortos a 40 quilômetros da capital francesa.

    Uma discreta cerimônia de homenagem se deu junto à antiga sede da redação na quinta-feira (5). A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, o ministro das Relações Exteriores, Bruno Le Ru, e os representantes da revista deixaram flores no memorial da tragédia.

    A capa da edição dedicada ao segundo aniversário do ataque contra a revista é intitulada "2017. Finalmente, o fim do túnel" e retrata um homem que olha para dentro de um cano de canhão de um terrorista. Segundo diz o editor-chefe da edição, Laurent Sourisseau, mais conhecido como ‘Riss', 2015 foi um ano da continuação da vida para a revista, enquanto o de 2016 foi de estabilização.

    "Pode ser que em 2017 sejamos ainda mais duros e agressivos", afirmou Riss em entrevista à agência Agence France-Presse.

    Ele frisou que, ao longo dos últimos dois anos, muitos se tornaram mais intolerantes à edição. De acordo com Sourisseau, a redação continua sendo constantemente intimidada, e se antigamente a revista, em sua maioria, atraía os islamistas, hoje em dias, suas publicações provocam raiva de todos os lados, inclusive de fora, da Rússia e da Turquia, em particular (vale ressaltar que, há pouco tempo, a revista publicou uma charge grosseira sobre o trágico acidente com o Tu-154 russo que não deixou sobreviventes).

    "Anteriormente, éramos incomodados por uma ou duas organizações retrógradas francesas, agora parece que todo o mundo acompanha aquilo que fazemos", partilhou o jornalista.

    Em uma reportagem, a rádio Europe 1 destaca que, desde o dia trágico do atentado, o conteúdo do semanário quase não foi modificado. "Talvez estejamos desenhando menos o profeta [Maomé]", diz um dos ex-representantes da redação. Pelo menos, as charges sobre o profeta muçulmano já não aparecem na capa.

    Segundo ele, as medidas de segurança reforçadas, aplicadas à equipe da Charlie Hebdo, "matam a criatividade".

    "Já não há atmosfera do passado", afirmou o jornalista.

    Houve muito cartunistas que deixaram a redação após a tragédia, cada um por motivos próprios: alguns por convicções pessoais, outros por acreditar que o preço a pagar pela abordagem mordaz e provocatória da revista é demasiado caro, já que a chefia da edição decidiu preservar tal postura.

    Hoje em dia, a Charlie Hebdo trabalha sob uma vigilância reforçada. O endereço da redação não é revelado, a sede parece mais uma casamata: inúmeras portas blindadas, segurança armada que revista cada visitante e há até um "panic room" — um quarto especialmente equipado que será usado caso seja realizado um novo atentado.

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    Tags:
    jornalistas, aniversário, homenagem, atentado, Massacre do Charlie Hebdo, Al-Qaeda, Charlie Hebdo, França
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