08:11 15 Dezembro 2017
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    Funcionário do laboratório de Moscou credenciado pela WADA

    Especialistas esportivos: WADA deve ser dissolvida depois do que fez

    © Sputnik/ Mihail Serbin
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    Escândalo de doping (30)
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    Na terça-feira (14), o grupo de hackers Fancy Bears publicou resultados da invasão da base de dados da Agência Mundial Antidoping WADA.

    Os documentos divulgados dizem que a WADA permitiu que tomassem remédios proibidos as campeãs olímpicas norte-americanas – as tenistas Serena e Venus Williams, a ginasta Simone Biles e a jogadora de basquetebol Elena Delle Donne. Além disso, segundo os documentos vazados, Biles e Delle Donne fizeram testes de doping positivos mas não foram desqualificadas e ganharam medalhas de ouro no Rio 2016.

    Se os dados da WADA, publicados pelos hackers são verdadeiros, isso significa que o sistema antidoping mundial está em profunda crise. A agência Sputnik perguntou a especialistas em esporte como eles veem o futuro do esporte mundial sem o doping.

    "O principal problema é o padrão duplo: Maria Sharapova foi suspensa por causa de meldonium absolutamente inócuo, enquanto as irmãs Williams estão usando drogas ilegais que são prescritas para pacientes com câncer. Isso tudo é feito em privado", diz Andrei Mitkov, agente esportivo russo.

    "Estes são jogos políticos sérios. É um monte de dinheiro e de influências. Agora, a WADA pode anular qualquer campeão ou designar qualquer campeão. O COI tenta resistir."

    O especialista russo conclui que a Agência, na sua atual composição e com a atual liderança, deve ser dissolvida. O mundo precisa de uma nova estrutura com novas pessoas e novas abordagens "com transparência absoluta". Isto é muito importante para todos os esportistas, porque "estamos falando sobre o destino de seres humanos: eles dedicam décadas de suas vidas ao esporte, e então com processos simplificados encontram qualquer coisa, recusam a fazer testes adicionais, e uma pessoa é 'banida' por 4 ou 8 anos.

    Outro interlocutor da agência de notícias Sputnik, o médico farmacologista e professor da Universidade Estatal de Moscou Nikolai Korobov, disse que no esporte pode ser usada uma variedade de drogas de "uso duplo" – tanto para o tratamento de atletas, como para doping. Na maioria dos casos, isso se aplica aos estimulantes fortes e analgésicos.

    "No esporte a administração destes medicamentos é proibida, porque eles suprimem a dor, a pessoa não sente as barreiras aos seus esforços e danifica sua saúde. Isto dá uma vantagem significativa aos atletas, uma vez que elimina a dor que impede de chegar à meta, ou de jogar até ao fim. <…> Tudo isso provoca mais danos para a saúde, mas quando os atletas concorrem em alto nível, para eles isto é irrelevante. O importante é vencer", explicou Nikolai Korobov.

    O especialista concluiu que é necessário distinguir os casos de uso de drogas por atletas dos casos em que o doping é tomado sob disfarce de drogas contra uma doença inexistente. Se este problema não for solucionado, o esporte perderá sua atração e se tornará uma luta não entre atletas, mas entre farmacologistas.

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    medalha de ouro, testes, hackers, drogas, doping, Rio 2016, Fancy Bear, WADA, Universidade Estatal de Moscou, Comité Olímpico Internacional (COI), Sputnik, Simone Biles, Maria Sharapova, Moscou, Rússia
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