Deputado Jair Bolsonaro

Postura 'anti-China' de Bolsonaro preocupa investidores e Pequim, diz agência

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A possível eleição de Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições presidenciais do próximo domingo preocupam autoridades e investidores da China, que acompanham a retórica crítica aos chineses e seus investimentos no Brasil, informou a Agência Reuters.

Diplomatas importantes de Pequim estiveram em contato com assessores de Bolsonaro nas últimas semanas, informou a publicação, acrescentando que o foco desses encontros tem sido enfatizar os benefícios da relação entre os 2 países, incluindo a relação comercial.

"Independentemente da direita ou da esquerda, queremos conversar e avançar no bom andamento das relações sino-brasileiras, que acreditamos que beneficiam os dois países", afirmou Qu Yuhui, ministro-conselheiro chinês da embaixada em Brasília, à agência.

"Temos confiança de que quem quer que seja o presidente do Brasil vai melhorar as relações China-Brasil", complementou.

Ao longo de sua campanha, Bolsonaro vem afirmando que a "China não está comprando no Brasil, a China está comprando o Brasil". "Vamos fazer negócios com os chineses — mas não vamos entregar nosso território a ninguém", já advertiu o ex-capitão do Exército e deputado federal eleito por sete mandatos consecutivos.

Os investimentos da China no Brasil subiram 37% entre 2010 e 2016, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), tornando Pequim o principal parceiro comercial do país, ultrapassando inclusive os Estados Unidos.

Perante a sua expansão interna, com grandes obras de infraestrutura e a melhora da qualidade de vida da população, a China vê no Brasil um importante fornecedor de matérias-primas, como bens agrícolas e minerais.

Além disso, Pequim vem buscando investir em empresas brasileiras e em projetos de infraestrutura encampados pelo governo brasileiro, algo que Bolsonaro deve se opor, caso eleito presidente do Brasil neste domingo, quando acontece o segundo turno presidencial.

"Estamos nos preocupando um pouco com alguns dos seus pontos de vista extremos", disse um executivo de infraestrutura da China à Reuters. "Ele está na defensiva contra a China".

O Brasil ocupa um papel de destaque nos planos expansionistas da China, mas o apreço de Bolsonaro pela retórica isolacionista do presidente estadunidense Donald Trump – que está em uma guerra comercial com Pequim – é outro componente a ser observado.

Outra razão para a China ver Bolsonaro com cuidado é política. Em fevereiro, o presidenciável do PSL visitou Taiwan, que ele reconhece como um Estado independente (algo refutado por Pequim), e teceu elogios aos "motores da prosperidade, tecnologia, inovação e educação".

Na época, a embaixada chinesa em Brasília divulgou uma nota em que criticou a visita de Bolsonaro, classificando-a como uma " afronta à soberania e à integridade territorial da China".

O que o governo chinês aposta para demover Bolsonaro são os valores envolvidos na relação entre os dois países. O comércio bilateral apenas em 2017 entre os 2 países foi de US$ 75 bilhões, enquanto Pequim já soma investimentos de US$ 124 bilhões desde 2003 no país. O agronegócio brasileiro, que tem grande relação com o candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto, vem ganhando com as rusgas entre chineses e norte-americanos, e pode também exercer algum tipo de influência, caso Bolsonaro seja eleito.

Dois homens-fortes de Bolsonaro e prováveis ministros, o economista Paulo Guedes e o deputado federal Onyx Lorenzoni se reuniram recentemente com delegações chineses, de acordo com a Reuters. O parlamentar, provável ministro-chefe da Casa Civil, destacou que Bolsonaro receberá os chineses logo no início do seu eventual governo, caso eleito.

Em 2019, Bolsonaro pode ter um papel importante no âmbito internacional, já que o Brasil sediará a cúpula dos BRICS. E o presidente da China, Xi Jinping, provavelmente estará presente.

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Tags:
agronegócio, economia, política, comércio, relações bilaterais, Partido Social Liberal (PSL), BRICS, Xi Jinping, Qu Yuhui, Onyx Lorenzoni, Paulo Guedes, Jair Bolsonaro, Taiwan, China, Estados Unidos, Brasil
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