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    COVID-19 no final de março de 2021 no Brasil (116)
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    Previsão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2021 está abaixo da média da América Latina, segundo dados do Banco Mundial. Para o economista Arthur Barrionuevo, a explicação está no lento processo de vacinação do país.

    O Banco Mundial divulgou, nesta segunda-feira (29), que o Brasil deve crescer 3% em 2021, mesmo patamar da previsão feita em janeiro. Enquanto isso, a instituição financeira subiu a estimativa média de crescimento do PIB da América Latina de 3,7% para 4,4%.

    Dois dos nossos vizinhos, Argentina e Chile, por exemplo, devem ter uma alta de 6,4% e 5,5% no PIB neste ano, pelos cálculos do banco.

    Segundo o economista Arthur Barrionuevo, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), a recuperação brasileira será gradual devido ao lento processo para adquirir, distribuir e aplicar vacinas no país.

    "Na América Latina, de uma maneira geral, a vacinação também está devagar. Mas em comparação com os grandes países, como o Chile e a Argentina, que estão mais comprometidos com a vacinação, parece que ficamos um pouco para trás", afirmou o especialista em entrevista à Sputnik Brasil.

    Até o momento, 16.258.743 de pessoas receberam ao menos uma dose da vacina contra a COVID-19 no Brasil, o que representa 7,68% da população brasileira. A segunda dose foi aplicada em 4.819.324 de pessoas, apenas 2,28% do total.

    "Vários estudos mostram que a recuperação da economia depende do controle da pandemia. E como se controla a pandemia? Fundamentalmente com vacinação. Então, é possível que, como a vacinação está mais lenta, a recuperação econômica também será mais lenta", afirmou o professor.
    Vacinação de idosos no Rio, 18 de março de 2021
    © REUTERS / Ricardo Moraes
    Vacinação de idosos no Rio, 18 de março de 2021

    Nesta segunda-feira (29), o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Martín Rama, disse que a pandemia transformou as economias da região, alertando para um possível aumento da desigualdade nestes países.

    "A pandemia iniciou um processo de destruição criativa, que pode levar a um crescimento mais rápido, mas ao mesmo tempo ampliar a desigualdade dentro dos países na região e entre eles", apontou Rama.

    Segundo o relatório do Banco Mundial, a América Latina e o Caribe sofreram os maiores danos econômicos e sanitários com a pandemia de COVID-19.

    Em 2020, o PIB do Brasil caiu 4,1%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na América Latina e no Caribe, a queda foi de 6,7%, em média.

    Barrionuevo explica que o Brasil conseguiu reduzir as perdas com a implementação do auxílio emergencial, que injetou R$ 294 bilhões na economia em 2020. O valor equivale a cerca de 4% do PIB do ano passado, que foi de R$ 7,4 trilhões, de acordo com O IBGE.

    "Um dos motivos para o Brasil ter caído menos em 2020 foi o gasto do governo, com o auxílio emergencial, que ajudou a sustentar a economia. A queda maior que era prevista para 2020 acabou não se concretizando devido ao auxílio", afirmou.

    O professor da FGV lamenta a falta de coordenação do governo federal para lidar com a pandemia. Segundo ele, se os lockdowns tivessem sido implementados da maneira correta quando necessários, as perspectivas agora seriam outras.

    "Mas agora é tarde. Estamos em uma situação de grande descontrole, com o número de mortes elevado e o sistema de saúde com muito estresse", disse.
    Pedestres usam máscaras na Avenida Paulista, São Paulo, 23 de setembro de 2020
    © Folhapress / Roberto Casimiro
    Pedestres usam máscaras na Avenida Paulista, São Paulo, 23 de setembro de 2020

    O economista ressalta que a extensão do país e as peculiaridades de cada região "precisam ser levadas em consideração", mas que, por si só, não justificam o descontrole da pandemia e a lentidão da imunização.

    "O que aconteceu é que não houve uma coordenação. Houve falha na distribuição de medicamentos que realmente funcionam, houve mais falha ainda na compra de vacinas e agora estamos em uma situação ruim, o que significa que vai demorar mais para o país começar a se recuperar", alertou.

    Novo auxílio emergencial

    O economista defende a continuação do auxílio emergencial para este ano para permitir que as pessoas mais vulneráveis também possam se proteger da doença.

    Ele lembra que, embora o país já esteja muito endividado, o benefício é fundamental nesse momento, enquanto a vacinação não avança.

    "É uma situação de emergência. Sem auxílio, não dá para manter o lockdown. Se não, as pessoas vão passar fome. Porém, não justifica a irresponsabilidade de liberar tudo, porque não resolve nada", afirmou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    COVID-19, novo coronavírus, pandemia, Brasil, América Latina, recuperação, economia, vacina, vacinação, PIB
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