08:18 31 Outubro 2020
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    Segundo especialistas do portal Oilprice, este cenário poderia ocorrer ao longo dos próximos meses.

    Tanto a Rússia como a Arábia Saudita estão sofrendo economicamente as consequências da desvalorização do petróleo. Ante uma perspectiva pouco provável de recuperação rápida da demanda mundial do petróleo cru pela pandemia do coronavírus existe a possibilidade de que seja desencadeada uma nova guerra de preços do petróleo, admite o portal Oilprice.

    A contínua debilidade dos mercados de petróleo parece estar fomentando tensões dentro da OPEP+, o que poderia levar a uma iminente divisão dentro de sua liderança.

    Uma bandeira com o logotipo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) fotografada durante uma coletiva de imprensa na sede da OPEP em Viena, Áustria.
    © REUTERS / Heinz-Peter Bader/File Photo
    Uma bandeira com o logotipo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) fotografada durante uma coletiva de imprensa na sede da OPEP em Viena, Áustria.

    Desde o acordo alcançado neste ano sobre cortes de produção, diferenças internas foram mantidas à distância graças à pandemia global da COVID-19 e a altos volumes de petróleo armazenados.

    Contudo, apesar do otimismo gerado no setor por vários prognósticos de valorização em 2021, a realidade dos mercados de petróleo é pouco promissora.

    A ameaça de novas restrições na Europa, que afetariam a demanda e economia globais, segue real. Porém, a OPEP+ parece ver as coisas de outra forma, "com as válvulas de petróleo na Arábia Saudita, Rússia e outros países-membros sendo reabertas", salienta o portal.

    Ainda que o cumprimento dos cortes de produção continue sendo em torno de 100%, esta cifra vai cair ao longo dos próximos meses.

    Os níveis de armazenamento de petróleo cru permanecem altos, enquanto o mundo está sendo inundado por hidrocarbonetos e gás, razão pela qual os corretores internacionais questionam abertamente a iniciativa atual da OPEP+ de aumentar a oferta.

    Em janeiro de 2021, os cortes de aproximadamente dez milhões de barris por dia caíram para seis milhões. Contudo, no mês de maio, especialistas disseram que os cortes existentes são insuficientes e seu relaxamento somente estenderia a debilidade dos mercados.

    Pressão do mercado

    Trata-se de um momento alarmante para os dois arquitetos do acordo da OPEP+. "Alguém poderia dizer que Riad e Moscou se encontram em uma situação de Ardil-22, uma vez que qualquer coisa que façam, o mercado está muito fraco para reagir e vai terminar prejudicando ambos", indica o Oilprice.

    Instalação petrolífera da empresa Aramco, na Arábia Saudita
    © AP Photo / Hassan Ammar
    Instalação petrolífera da empresa Aramco, na Arábia Saudita

    Os preços estão muito baixos para sustentar a estratégia governamental de ambos os países. Não obstante, o presidente russo, Vladimir Putin, conta com maior flexibilidade que os líderes sauditas, porque seu papel de potência global ainda abre portas.

    Sem altos preços do petróleo bruto, não somente a saudita Aramco, a principal petroleira em operação no país, está sofrendo, mas também a maior parte dos projetos governamentais.

    "As finanças do reino estão passando por apuros, como demonstra o fato de que o interesse internacional nas obrigações do Estado saudita [e russo] estão diminuindo", salienta o portal.

    Antiga opção

    À medida que aumentam suas crises internas, Moscou e Riad poderiam seguir caminhos diferentes. "Um enfoque mais agressivo de Riad em direção à sua proporção do mercado e preços não é de todo impensável", sugere o portal.

    "Se a cooperação não gerar os frutos necessários, a antiga opção de uma nova guerra de preços do petróleo não é nada inimaginável", adverte o portal.

    Segundo o Oilprice, este cenário poderia prevalecer nos próximos meses. Portanto, os mercados de petróleo bruto devem estar preparados.

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    Tags:
    demanda, novo coronavírus, COVID-19, valorização, Rússia, Arábia Saudita, petróleo, economia
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