20:55 29 Novembro 2020
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    O governo russo, através de um decreto, autorizou o Fundo de Bem-Estar Nacional a investir em títulos chineses denominados em yuan.

    De acordo com vários especialistas, auscultados pela agência Prime, esta decisão pode ser uma estratégia para evitar riscos econômicos decorrentes de sanções.

    O decreto governamental russo autoriza a inclusão da China na lista de países cujos títulos de dívida pública podem ser adquiridos pelo Fundo de Bem-Estar Nacional (FNB, na sigla em russo) em quantidades não inferiores a 1 bilhão de yuan (R$ 771 milhões).

    Rublo russo e yuan chinês
    © Sputnik / Alelsandr Demyanchuk
    Rublo russo e yuan chinês

    O decreto também acrescentou o yuan à lista de moedas permitidas para investimento dos recursos do FNB, que anteriormente incluía apenas sete moedas de reserva: o dólar americano, o euro, a libra esterlina britânica, os dólares australiano e canadense, além do franco suíço e do iene japonês.

    Na opinião das autoridades russas, a inclusão do yuan na estrutura monetária do FNB pode estabilizá-lo e ter um efeito positivo sobre o rendimento da gestão dos ativos do Fundo Nacional de Investimento da Rússia.

    Contudo, o especialista Konstantin Ordov considera em declarações à agência Prime que, por enquanto, as oportunidades de investimento dos recursos do FNB estão limitadas pelo risco dos instrumentos financeiros, incluindo as restrições na compra de títulos denominados em yuan.

    Porto seguro

    Segundo o especialista Sergei Suverov, igualmente ouvido pela agência, a decisão do governo russo de expandir as oportunidades de investimento está ligada, entre outras razões, à preocupação com as sanções e seus riscos.

    Embora a imposição de novas sanções seja improvável, o fato é que há muitas delas ainda em vigor. Por essa razão, a Rússia estará procurando minimizar os riscos financeiros das sanções e investir em ativos que não comportem riscos políticos, opinou Suverov.

    "Aparentemente, o governo russo receia riscos de novas sanções por parte dos EUA. Isto se deve muito provavelmente ao último acordo da OPEP+, às garantias e obrigações assumidas pelas partes, bem como às consequências que elas podem causar se os acordos não forem cumpridos", explicou Ordov.

    O especialista também não descartou a possibilidade de que os investimentos em yuan e seus derivados possam ser uma forma de incentivar investimentos chineses na economia russa, funcionando as aplicações russas em yuan como uma garantia.

    Ordov conclui que não exclui a hipótese de se poder tratar igualmente de uma etapa de preparação para transações em yuan no comércio internacional.

    Vale recordar que os países do BRICS tentam reduzir sua dependência do dólar norte-americano em suas transações internacionais.

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    Tags:
    dívida pública, China, Rússia
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