17:16 01 Outubro 2020
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    Países combatendo COVID-19 no meio de abril de 2020 (105)
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    A economia da República Popular da China dá fortes indícios de recuperação depois dos primeiros meses da pandemia no país, inclusive com subidas das bolsas asiáticas, mas há entraves externos.

    O comércio chinês está se recuperando melhor do que o esperado, segundo a Administração Geral da Alfândega chinesa. As exportações da China caíram apenas 6,6% em março, as importações caíram apenas 0,9% e o superávit comercial do país foi de US$ 19,9 bilhões (R$ 102,8 bilhões), diz a entidade.

    A previsão consensual dos economistas entrevistados pela Reuters era mais pessimista, eles esperavam que em março as exportações da China caíssem 14%, as importações 9,5% e o superávit comercial para US$ 18,55 bilhões (R$ 95,68 bilhões).

    Assim, o ritmo de recuperação das exportações e importações chinesas após o surto da epidemia de coronavírus no país foi surpreendentemente rápido. As estatísticas comerciais positivas da China causaram uma recuperação nos mercados asiáticos, que fecharam em zona verde:

    O Shanghai Composite cresceu 1,6% para 2.827,28 pontos, o Shenzhen Composite – 2,2% para 1.745,42 pontos e o Hong Kong Hang Seng – 0,6% para 24.435,4 pontos. O Nikkei 225 subiu 3,1% para 19.638,81 pontos e o sul-coreano KOSPI – 1,7% para 1.857,08 pontos.

    De fato, a China foi capaz de recuperar a produção industrial no menor tempo possível. O trabalho de mais de 90% das maiores empresas já foi totalmente retomado e as restrições de quarentena nas regiões mais afetadas pela epidemia, a província de Hubei e sua principal cidade, Wuhan, já estão sendo levantadas.

    A maioria do pequeno número de casos de novas infecções é importada, o que significa que a atividade econômica começou a crescer acentuadamente em março. O índice de negócios PMI subiu para 52 em março, significando um aumento na atividade produtiva. O consumo de energia elétrica em março também começou a se recuperar.

    As dificuldades atuais

    No entanto, especialistas advertem que no segundo trimestre a rápida recuperação da economia chinesa pode ser complicada por uma queda na demanda global devido à disseminação do coronavírus. Em março ainda não havia uma queda global em larga escala na atividade empresarial, razão pela qual as estatísticas da China para esse mês são favoráveis.

    Entretanto, os dados de abril podem se revelar mais fracos, advertiu Jia Jinjing, diretor assistente do Instituto Chungyang de Estudos Financeiros da Universidade Popular China, à Sputnik China.

    "Em março, a China já se recuperou significativamente da epidemia, a produção industrial está se recuperando muito rapidamente e o impacto no comércio exterior foi ligeiramente mais fraco do que o esperado."

    "Além disso, os números de março são positivos também por que a contração nos mercados mundiais só começou na segunda metade do mês. Portanto, temo que os números de abril sejam muito menos radiantes", apontou.

    Notas de yuan chinesas atrás de um gráfico iluminado da bolsa, 10 de fevereiro de 2020
    © REUTERS / Dado Ruvic
    Notas de yuan chinesas atrás de um gráfico iluminado da bolsa

    De acordo com o especialista, haverá riscos macroeconômicos significativos no futuro próximo, o que pode retardar a rápida recuperação da economia.

    "Em primeiro lugar, o crescimento da economia diminuiu significativamente no primeiro trimestre. Em segundo lugar, a epidemia inevitavelmente levará a um sério declínio no comércio mundial. Embora os indicadores do primeiro trimestre não tenham sido tão terríveis, a epidemia começou a se agravar em todo o mundo, e no segundo trimestre será muito pior, portanto, os indicadores não serão iguais aos do primeiro."

    Os danos da recessão já estão à vista, indica.

    "Terceiro, muitas empresas agora enfrentam déficits de capital, e a próxima etapa será o surgimento de riscos financeiros sistêmicos, incluindo quebras nas cadeias de dívida."

    "Finalmente, embora um forte aumento do desemprego tenha sido evitado até o momento, ainda há muitas empresas que não recuperaram totalmente todos os funcionários em suas unidades. E, se a demanda não se recuperar rapidamente, pode surgir o desemprego estrutural, o que deve ser evitado por todos os meios", relata Jia.

    Riscos externos

    As empresas chinesas, e particularmente as do setor tecnológico, podem enfrentar escassez de capital. Como escreve o diário South China Morning Post, o investimento de capital de risco em empresas chinesas no primeiro trimestre caiu mais de 30%.

    Chen Wei, diretor da Shenzhen Oriental Fortune Capital, considera que o inverno financeiro será particularmente rigoroso para as empresas nos próximos três a seis meses.

    Preocupações semelhantes foram expressas por Joerg Wuttke, chefe da Câmara de Comércio da UE na China. Ele disse à Reuters que também há dificuldades para as empresas europeias na China, pois a pandemia do coronavírus perturbou todas as cadeias de abastecimento globais e, como resultado, o processo de produção dentro da própria China se tornou mais complicado.

    Os dados gerais de crescimento econômico para o primeiro trimestre devem ser publicados na sexta-feira (17). A publicação financeira chinesa Qixin Caixin cita pesquisas de economistas de 18 organizações, segundo as quais no primeiro trimestre a economia chinesa vai encolher 6,6% e, na melhor das hipóteses, o crescimento no final do ano será zero.

    No entanto, Jia Jinjing acredita que neste ano as autoridades do país podem se recusar a estabelecer metas para o crescimento econômico. O mais importante na situação atual não são os indicadores numéricos, mas o nível de necessidades básicas das pessoas, o nível de seu emprego, bem como o apoio direcionado às empresas, as mais afetadas agora pela pandemia global.

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    pandemia, COVID-19, União Europeia, China
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