18:36 11 Agosto 2020
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    A demanda de petróleo na China diminuiu em cerca de 20%. Esta tendência tem afetado os mercados mundiais deste combustível, visto que o gigante asiático é o seu maior comprador no mundo.

    Cientista político chinês Huang Xiaoyong indica, em entrevista à Sputnik China, as causas que poderiam estar por trás de a China estar importando menos petróleo.

    Até muito recentemente, o país consumia por volta de 14 milhões de barris de petróleo diários. Para ter uma ideia, a sua demanda ultrapassava largamente o consumo conjunto deste tipo de hidrocarbonetos pela França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido e Japão.

    As refinarias chinesas não paravam de aumentar as suas capacidades de produção. Em 2019, a agência Bloomberg Intelligence prognosticou que as capacidades de produção das refinarias independentes na China aumentariam em 1,52 milhões de barris por dia entre 2019 e 2021.

    No entanto, com a baixa demanda, as refinarias tanto estatais como privadas não conseguem vender suas reservas. Este cenário ocorreu apesar de muitos agentes do mercado mostrarem otimismo em relação ao crescimento da atividade econômica na China após Pequim e Washington terem assinado a primeira fase do acordo comercial bilateral.

    A maior refinaria de petróleo na China, do Sinopec Group, planeja reduzir a produção de petróleo entre 13% e 15% no corrente mês, enquanto as 18 empresas independentes que operam no país irão reduzir ou parar completamente o processamento de petróleo bruto após sobrelotarem seus depósitos.

    Não há dúvida de que a redução da demanda de petróleo no país tem tudo a ver com o recente surto de coronavírus na China. Os residentes da cidade de Wuhan e de outras cidades chinesas ficaram proibidos de se deslocarem pelo país. Assim, o Ministério do Transporte da China informou que o número de viagens no país diminuiu 16,5% entre 10 e 30 de janeiro, comparado com o mesmo período no ano passado.

    Refinaria da petroleira nacional chinesa CNPC, na cidade de Dalian, na província de Liaoning, China, em 22 de janeiro de 2020
    © REUTERS / China Stringer Network
    Refinaria da petroleira nacional chinesa CNPC, na cidade de Dalian, na província de Liaoning, China, em 22 de janeiro de 2020

    Muitos negócios tais como lojas e cafés continuam fechados na província de Hubei, além de muitas fábricas terem cessado sua produção, prolongando as férias até 10 de fevereiro. Isto teve um impacto negativo sobre o transporte de cargas, que por sua vez levou à diminuição da atividade econômica e do consumo de combustível.

    No entanto, existem outros fatores que conduziram à redução da procura de petróleo na China, disse à Sputnik China, Huang Xiaoyong, diretor do Centro de Estudos de Segurança Energética Internacional na Academia de Ciências Sociais da China.

    "Atualmente, a China está realizando transformações qualitativas na sua estrutura de produção, regulando as indústrias que antes consumiam um maior volume de petróleo. Tendo em conta tudo isso, o sistema energético [do país] está mudando, estão sendo desenvolvidas outras fontes de energia, aumenta o consumo de gás. Todos estes fatores influenciam o crescimento da demanda de petróleo", explicou.

    O Governo chinês começou a implementar uma nova política com o propósito de promover a utilização de fontes de energia mais ecológicas.

    O cientista político considera que a situação deve voltar ao normal na segunda metade de 2020, quando a China resolver o problema relacionada com a epidemia.

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    consumo, economia, petróleo, China
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