23:29 17 Outubro 2018
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    Chesf é uma das hidrelétricas que integram o sistema Eletrobras

    Casa de ferreiro, espeto de pau: venda da Eletrobras não convence base do próprio governo

    Chesf/Divulgação
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    A indicação de Moreira Franco para assumir o Ministério das Minas e Energia é vista como um último esforço do governo federal para convencer a base de apoio do governo no Congresso para privatizar o sistema Eletrobras ainda este ano.

    Franco — que ocupava a Secretaria-Geral da Presidência e estava à frente do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) — é considerado um dos principais mentores do programa de privatização do governo e é reconhecido pelo bom diálogo com o Congresso. A resistência de boa parte dos partidos de base, principalmente nos estados do Nordeste, porém, prenuncia que esse será um trabalho difícil, segundo vários especialistas no assunto.

    Na avaliação do presidente da Associação dos Empregados da Eletrobras  (Aeel), Emanuel Mendes Torres, a indicação de Moreira Franco para o ministério não vai alterar a meta privatista do atual governo em relação à venda da Eletrobras. Em entrevista à Sputnik Brasil, o dirigente da Aeel avalia, contudo, que o negócio não será realizado na atual gestão, e "vai se transformar numa nova Previdência", ficando para o próximo governo dada à situação complexa jurídica e financeira em que se encontra hoje o sistema.

    "O que a gente tem feito no Congresso Nacional junto aos parlamentares, muitos inclusive da base, é continuar a luta em defesa do sistema Eletrobras. A gente vê com péssimo olhar essa indicação. A gente vai fazer uma greve no dia 16 em todos os estados em que há empresas do sistema", diz o dirigente.

    O sistema Eletrobras é composto por oito empresas de geração e transmissão e seis distribuidoras. Segundo Mendes, o governo tenta privatizar as companhias a um preço irrisório.

    "O valor de venda (do sistema) feito por técnicos do setor é de aproximadamente US$ 370 bilhões e o governo quer arrecadar R$ 12 bilhões. Só para receber de dívidas do governo temos R$ 40 bilhões. (Ele) vai pagar ao longo dos anos e quem comprar a Eletrobras vai receber esse dinheiro", explica Mendes.

    O presidente da Aeel diz que a resistência contra venda da Eletrobras vem não só da bancada do Nordeste, mas também da bancada de Minas Gerais por conta de Furnas e também da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), uma das principais geradoras e transmissoras da Região Nordeste. Prova desse descontentamento é exemplificado nas críticas feitas à proposta do governo pelo próprio relator do Projeto de Lei 9463/18, o deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA), da base de apoio.

    "Esse ano, isso (a aprovação) é desgaste para eles. Por isso, talvez, a indicação do Moreira Franco para o ministério. O governo não vai conseguir fazer a privatização este ano. Eles precisam, antes de mais nada, aprovar a distribuição das distribuidoras. É um imbróglio muito grande, porque elas têm dívidas monstruosas. Você vai deixar as dívidas com quem? Daqui a pouco a gente entra dentro do processo eleitoral e param um pouco as coisas no país. E tem outro detalhe: a gente está próximo das festas juninas do Nordeste, quando os parlamentares gostam muito de ir para lá", finaliza Mendes.

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    Tags:
    investimento, dívidas, congresso, energia, privatização, economia, Ministério das Minas e Energia, Secretaria-Geral da Presidência da República, Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), Associação dos Empregados da Eletrobras (Aeel), Michel Temer, Moreira Franco, Emanuel Mendes, Brasil
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