03:47 22 Agosto 2019
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    Distrito central de Pequim

    Quais são as armas da China na guerra comercial contra EUA?

    © AFP 2019 / WANG ZHAO
    Economia
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    O presidente dos EUA, Donald Trump, impôs tarifas de importação contra painéis solares e máquinas de lavar. A iniciativa afeta, principalmente, os interesses da China e da Coreia do Sul, que já criticaram a mudança.

    O Global Times, jornal oficial do Partido Comunista da China, advertiu que Pequim não teme uma guerra comercial com Washington e pode retaliar. Como poderia responder China e que empresas e indústrias seriam mais afetadas?

    Boeing

    Aviões comerciais são os produtos mais exportados dos EUA à China por isso a empresa Boeing poderia ser a primeira na linha de fogo. Pequim poderia responder os EUA comprando menos aviões da Boeing e mais da Airbus, explicou ao CNN Scott Kennedy, especialista do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos.

    Na verdade, isso é exatamente o que o Global Times propôs em um artigo publicado em 2016, quando sugeriu que a China não tem medo de adotar um enfoque de olho por olho no comércio e que o país pode começar a importar aviões da Airbus, ao invés dos da Boeing. Essa seria uma grande perda de negócios para Boeing, que nos últimos anos anunciou acordos de dezenas bilhões de dólares quanto à venda de aeronaves para a China.

    Apple

    Cerca de 7% das vendas da Apple são realizadas na China continental, porcentagem que aumenta para 19% quando incluídas Taiwan e Hong Kong, segundo dados da empresa Factset. Além disso, a China possui empresas que "competem cara a cara com a Apple", por isso a empresa norte-americana "certamente estaria preocupada com fogo cruzado [em disputa comercial]", sublinhou Kennedy.

    Carne

    Em maio passado, os EUA e a China assinaram acordo para retomar as exportações de carne norte-americana para a China depois de 14 anos. Entretanto, há requisitos específicos que as empresas norte-americanas devem cumprir. Neste sentido, a BBC estima que Pequim possa vir a elevar esses padrões de segurança e saúde para dificultar o processo de exportação da carne dos EUA à China.

    Soja

    Outra exportação-chave dos EUA à China é a soja. Segundo dados da Panjiva, empresa de investigação sobre o comércio mundial, entre dezembro de 2016 e novembro de 2017 os EUA exportaram soja no valor de 22,5 bilhões de dólares (cerca de R$ 70 bilhões), dos quais 13 bilhões de dólares (R$ 41 bilhões) correspondem à China. 

    Se Pequim decidir optar por outras fontes de fornecimento, isso prejudicaria consideravelmente a agricultura dos EUA e seria "um golpe muito grande", advertiu Nicholas Lardy, do Instituto Peterson de Economia Internacional.

    Carros norte-americanos

    A China é dona do maior mercado de carros do mundo e também se encontra entre os cinco principais mercados de importação de carros e autopeças dos EUA. Uma eventual diretiva do governo chinês de deixar de comprar carros norte-americanos prejudicaria os fabricantes dos EUA.

    Qualcomm e Intel

    Pequim também é a maior consumidora mundial de semicondutores, que são instalados em uma grande quantidade de produtos eletrônicos no país; potenciais tarifas de importação para esses elementos seriam desastrosas para gigantes como Qualcomm (QCOM) e Intel (INTC).

    Turismo

    Finalmente, a China é líder a nível mundial na hora de enviar seus habitantes a outros países, com mais de 130 milhões de cidadãos que viajam pelo mundo anualmente. Os EUA são os mais beneficiados com turismo internacional: 75,6 milhões de turistas visitaram o país em 2016 e gastaram 290 bilhões de dólares (R$ 912 bilhões). 

    Esta é uma lista incompleta das medidas de retaliação que poderia tomar a China depois da decisão de Trump. Pequim pode apresentar queixas à Organização Mundial do Comércio ou vender alguns títulos de tesouro dos EUA, entre outras medidas. "Vão contra-atacar e vão contra-atacar duramente", avisou Scott Kennedy.

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    Tags:
    exportação, importação, comércio bilateral, sanções, Donald Trump, EUA, China
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