08:25 31 Maio 2020
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    O Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter a taxa de juro em zero, reduzindo para metade a compra de títulos públicos, até 39 bilhões de euros (R$ 114 bilhões). Segundo alguns especialistas alemães, o euro já está condenado.

    "O euro encontra-se na última fase de câncer", declarou à Sputnik Alemanha o especialista financeiro Marc Friedrich. O economista considera as ações do presidente do BCE, Mario Draghi, como uma "catástrofe". Friedrich afirmou que o banco mostra um grande desespero tentando adiar seu fracasso com os fundos dos cidadãos.

    "Na realidade o Banco deveria acabar com o programa de resgate financeiro até dezembro de 2017, ou seja, o programa deveria ser reduzido a zero", sublinhou o economista.

    Entretanto, o programa foi prolongado até setembro de 2018 e isso não significará o fim da história: "Significará que haverá mais 270 bilhões de euros [R$ um trilhão] e depois 2,28 trilhões [R$ 8,7 trilhões] e todos nós seremos responsáveis por isso. Para mim, parece que é uma continuação do jogo irresponsável, acompanhado por danos para os cidadãos", acrescentou ele.

    A redução da taxa de juros faz com que o capital acumulado continue desaparecendo e os cidadãos possam ser obrigados a viver na pobreza. O especialista conclui que essa tendência catastrófica só confirma que não há ainda uma solução para o problema.

    Os 30 bilhões de euros (R$ 114) seguintes que Draghi planeja usar para adquirir obrigações em 2018 são criados de maneira virtual ou simplesmente são impressos, explica o economista.

    "Tanto os bancos comerciais como os bancos centrais podem fazer dinheiro do nada, e isso é fatal. Certamente tal provoca um aumento da inflação […] Por conseguinte, as bolhas financeiras irão crescer. Em algum momento, um 'tsunami' nos alcançará e os bancos centrais ficarão desarmados", disse Friedrich. 

    O especialista acrescentou que a situação financeira na Europa é pior do que afirma Draghi, já que o crescimento econômico tem lugar apenas na Alemanha.

    "É um cenário terrível para a sociedade, a economia e a gente comum", declarou o economista, indicando que a geração atual nunca verá a evolução da taxa de juro.

    Falando sobre as possíveis soluções para o problema, Friedrich mencionou a necessidade da elevação das taxas de juro, da amortização da dívida dos países do sul da Europa e da emissão de moedas nacionais soberanas.

    "Nosso sistema financeiro junto com o euro está na última fase do câncer e seu fim está próximo”, concluiu ele.

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    Tags:
    política econômica, finanças, euro, UE, Mario Draghi, Europa, Alemanha
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