17:39 28 Setembro 2021
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    Os EUA multiplicaram por dez suas bases militares ao redor do globo. Operações já causaram centenas de milhares de mortes e milhões de desabrigados. Custos aos cofres públicos geram grande insatisfação popular.

    As intervenções militares dos EUA em todo o mundo após os ataques terroristas de 11 de setembro impactaram diretamente a vida de inúmeras populações ao redor do globo. Novos dados de pesquisadores do Instituto Watson da Universidade Brown, nos EUA, mostram que apenas nos últimos três anos as forças americanas estiveram envolvidas em operações em pelo menos 85 países.

    De acordo com o estudo, as invasões, chamadas pelo governo norte-americano de "atividades contraterrorismo", causaram a morte de centenas de milhares de civis e deixaram mais de 37 milhões de desabrigados. O estudo é limitado apenas às recentes atividades militares de Washington no exterior entre 2018 e 2020.

    O novo estudo da pesquisadora Stephanie Savell para o projeto Custos da Guerra da Universidade Brown detalha que as invasões militares americanas após o 11 de setembro geraram um total de mortos surpreendentemente triste: 335.745 eram civis, 259.783 militantes, 177.073 militares nacionais, 12.468 membros de tropas aliadas e 7.104 militares dos EUA.

    No final da Segunda Guerra Mundial, os EUA tinham menos de 80 bases militares no exterior, que agora aumentaram para 800, de acordo com dados do Pentágono e especialistas independentes. Em contrapartida, a China, considerada a principal nação rival dos EUA, tem apenas uma única base militar no exterior, no leste da África.

    Militar do Exército dos EUA na Base Aérea de Tolemaida, Colômbia, janeiro de 2020
    © AP Photo / Sarah Blake Morgan
    Militar do Exército dos EUA na Colômbia

    Segundo o estudo, as tropas dos EUA, nos últimos três anos, ajudaram em operações de "contraterrorismo" em pelo menos 79 países, conduziram exercícios militares em 41 países, participaram de combates em oito nações e realizaram ataques aéreos em sete países, incluindo Iraque, Afeganistão, Iêmen e Síria.

    As invasões militares, que começaram com o Afeganistão e o Iraque na virada do milênio, custaram até hoje aos contribuintes americanos a impressionante cifra de US$ 6,4 trilhões, ou seja, mais de R$ 35 trilhões.

    De acordo com dados do Instituto de Pesquisa da Paz Internacional de Estocolmo, no ano fiscal de 2019, os gastos militares dos EUA corresponderam a US$ 731,8 bilhões (mais de R$ 4 trilhões) e excederam em muito outras potências globais no mesmo período, incluindo China (US$ 261,1 bilhões, ou R$ 1,4 trilhão), Índia (US$ 71,1 bilhões, ou R$ 392 bilhões) e Rússia (US$ 65,1 bilhões, ou R$ 359 bilhões).

    Segundo especialistas, a insatisfação popular nos Estados Unidos é grande em relação aos custos elevadíssimos com guerras e a pressão para modificar a política externa é cada vez maior. As pautas mais atuais são a retirada das tropas do Afeganistão após acordo EUA-Talibã (sendo Talibã um movimento considerado terrorista na Rússia) e a situação no Iraque que se arrasta desde 2013.

    Enquanto isso, de acordo com um relatório recente do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, a ameaça mais grave do país é representada por extremistas domésticos, não por "terroristas" estrangeiros. O episódio da invasão ao Capitólio em janeiro seria um dos exemplos.

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    Tags:
    EUA, Forças Armadas dos EUA, bases militares, guerras, política externa, contraterrorismo, antiterrorismo
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