03:50 17 Abril 2021
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    Em uma avaliação crítica da OTAN, a China foi retratada como potencial ameaça militar não só para os EUA, mas também para a Europa, tornando Pequim em um teste ao sistema de defesa coletivo das nações.

    O relatório, que delineia os próximos dez anos de trabalho da OTAN, está agora centrado em "aumentar a capacidade de antecipar e reagir às atividades chinesas que minam a segurança dos aliados", de acordo com o South China Morning Post.

    Emergência de uma nova ameaça?

    Relativamente à Rússia, o relatório sugere que a coalizão "permaneça aberta para discutir a coexistência pacífica" com Moscou.

    Sobre a China, porém, o relatório tem um tom mais agressivo, questionando a disposição de Pequim em usar a força contra seus vizinhos e a rapidez de sua modernização militar.

    Ao retratar Pequim como um ator potencial no teatro europeu, o relatório - escrito por dez especialistas independentes nomeados pelo secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg - mostra a China como uma ameaça não apenas para os EUA, mas também para os membros europeus que tradicionalmente são céticos de serem atraídos para qualquer rivalidade militar entre os EUA e a China.

    "A longo prazo, é cada vez mais provável que a China projete globalmente o seu poder militar, incluindo [potencialmente] na área euro-atlântica", disse o relatório. "Se os aliados são ameaçados pela China, a OTAN deve ser capaz de demonstrar a sua capacidade de ser um ator eficaz para fornecer proteção".

    Da parte da OTAN

    É acrescentado que a OTAN "deve dedicar muito mais tempo, recursos políticos e ação aos desafios de segurança colocados pela China" e "deve melhorar sua capacidade de coordenar estratégia e garantir a segurança dos aliados face a face com a China". Adicionalmente, o país "provou sua disposição em usar a força contra seus vizinhos, bem como repressão econômica e diplomacia intimidatória muito além da região Indo-Pacífico".

    Por essa razão, a China "deve ser considerada em futuras negociações de controle de armas, especialmente no contexto de armas nucleares e mísseis balísticos", e a aliança norte-atlântica "deve encorajar a China a se comprometer em um controle de armas significativo e verificável, para reduzir a chance de uma corrida armamentista na Ásia e além", disse o relatório.
    Dois caças Chengdu J-20 durante apresentação na Airshow China en Zhuhai
    © REUTERS / China Daily
    Dois caças Chengdu J-20 durante apresentação na Airshow China en Zhuhai

    Mesmo que a China ainda não represente uma ameaça militar imediata, a mesma está expandindo o seu alcance militar no Atlântico, Mediterrâneo e Ártico, aprofundando os laços de defesa com a Rússia e desenvolvendo mísseis e aeronaves de longo alcance, porta-aviões e submarinos de ataque nuclear com alcance global, extensas capacidades baseadas no espaço e um arsenal nuclear maior, de acordo com a mídia.

    "Na próxima década, a China provavelmente também desafiará a capacidade da OTAN de construir resiliência coletiva, assegurar a infraestrutura crítica, lidar com tecnologias novas e emergentes, como 5G, e proteger setores sensíveis da economia, incluindo cadeias de abastecimento", acrescenta.
    Porta-aviões da China Shandong atracado (foto de arquivo)
    © AP Photo / Agência de Notícias Xinhua / Li Gang
    Porta-aviões da China Shandong atracado (foto de arquivo)

    Deste modo, o relatório também pede aos aliados da OTAN que "defendam a coesão" enquanto se envolvem com a China bilateralmente, lembrando à OTAN que a mesma deve concentrar suas críticas nas autoridades de Pequim, e não na nação (chinesa) como um todo.

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    Tags:
    Defesa, Europa, Estados Unidos, OTAN, China
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