06:53 28 Setembro 2020
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    Ambos ainda em testes, o canhão L51, planejado para ser instalado em alguns tanques da Aliança Atlântica, foi desenhado de forma a poder "furar" a blindagem do tanque russo T-14.

    A companhia alemã Rheinmetall publicou testes em vídeo do tanque Challenger 2 modernizado com o novo canhão L51 de 130 milímetros, que pode se tornar o canhão para tanque mais potente da OTAN. Na opinião de alguns especialistas, o projétil disparado a partir desse canhão penetrará facilmente na blindagem do mais novo tanque T-14 russo.

    A nova arma foi apresentada pela primeira vez na exposição Eurosatory em Paris, em 2016, presumivelmente em resposta ao aparecimento dos tanques Armata russos.

    O canhão deverá ser instalado nos tanques Leopard 2 alemães e nos MGCS franco-alemães. Além disso, a Rheinmetall pretende oferecer o L51 aos EUA para veículos de combate da próxima geração (NGCV, na sigla em inglês).

    Acredita-se que as peças de 120 milímetros disponíveis nos blindados dos países da OTAN não seriam capazes de danificar eficazmente a blindagem dos Armata. Os armeiros alemães tentaram resolver o problema aumentando o calibre e criando uma linha de munições com maior potência.

    Os testes do protótipo do L51 começaram no ano passado, não se sabendo ainda quando terminarão de ser implementados.

    O canhão tem 6,63 metros em comprimento e pesa cerca de três toneladas. A velocidade inicial do projétil e sua penetração na blindagem é aumentada devido ao uso de cano fabricado de aço de alta resistência, culatra vertical em forma de cunha e câmaras de maior volume.

    A Rheinmetall desenvolveu especificamente para o L51 o projétil subcalibre APFSDS-T, com cinta descartável, carga de pólvora de alta energia e núcleo avançado de tungstênio. A pedido do cliente, é também possível instalar no tanque um sistema de carregamento automático.

    T-14 'passa o teste'?

    Sendo o tanque mais invulnerável do mundo, não é tão fácil perfurar um T-14. A primeira linha de defesa é o sistema de proteção ativa Afganit, que detecta e destrói munições antitanque ainda em voo.

    Além disso, tem um radar de pulso Doppler, composto por um pacote complexo de quatro painéis de radar, bem como localizadores de direção ultravioleta e câmeras infravermelhas com visão circular. Ao contrário do sistema de proteção ativa de fabricação ocidental, o Afganit é capaz de detectar não apenas mísseis antitanque guiados relativamente lentos, mas também projéteis perfurantes subcalibre estabilizados.

    Ao detectar um projétil se aproximando, o sistema ativa automaticamente vários sistemas ao mesmo tempo. Se o tanque for visado por um míssil controlado por rádio, são ativados equipamentos de guerra eletrônica convencionais para bloquear o sinal. Em seguida, o T-14 monta uma cortina de fumaça e partículas de metal que dificulta a detecção visual do tanque, bem como ser atingido com um míssil guiado por infravermelho.

    Tanques T-14 Armata e T-90M Proryv passando pela Praça Vermelha na Parada da Vitória, Moscou, 24 de junho de 2020
    © Sputnik / Mikhail Voskresensky / Foto Host Agency
    Tanques T-14 Armata e T-90M Proryv passando pela Praça Vermelha na Parada da Vitória, Moscou, 24 de junho de 2020

    Se não for possível "enganar" as munições a longa distância, morteiros especiais disparam cargas em direção ao alvo, que o destroem com estilhaços, ou pelo menos desviam o percurso dos projéteis.

    Se o Afganit falhar, entra em jogo a defesa dinâmica Malakhit, que usa recipientes que explodem quando tocados pelos projéteis inimigos, inclusive minimizando os danos de um projétil perfurante de blindagem.

    Defesa adicional

    Como último recurso de defesa, os desenvolvedores do T-14 afirmam que o tanque não será penetrado por nenhum míssil antitanque guiado com calibre de até 150 milímetros, incluindo TOW, Javelin, ambos dos EUA, o Spike, de Israel, bem como todos os tipos de lança-granadas antitanque portáteis. Além disso, a parte frontal do tanque resistiria a projéteis de artilharia de pelo menos 120 milímetros.

    O compartimento do motor e os compartimentos de munição e combustível são isolados uns dos outros por anteparas blindadas, o que aumenta as chances de sobrevivência se a blindagem for perfurada. A torre com o canhão é coberta por um capô especial, que protege dispositivos eletrônicos complexos contra balas e estilhaços.

    Segundo o desenvolvedor, a fábrica Uralvagonzavod, localizada perto dos Urais, a reserva de munições está localizada na parte traseira da torre, tal como no Leopard 2 alemão ou no Merkava israelense. Se detonar, a onda de choque da explosão sai por painéis especiais removíveis, o que salva o tanque da destruição.

    No entanto, não há dados exatos sobre a blindagem da torre, pois sua estrutura e aparência sem o capô protetor são classificadas.

    O Exército russo deverá receber 132 tanques T-14 até o final de 2021.

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    Tags:
    Challenger 2, TOW, Javelin FGM-148, Javelin, Merkava Mark III, Tanque Merkava, Leopard 2, OTAN, Rússia
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