07:58 17 Agosto 2019
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    Lançadores do novo sistema iraniano de defesa antiaérea Khordad-15

    Análise: novo sistema de defesa antiaérea do Irã é capaz de resistir ao Ocidente

    © AP Photo / Iranian Defense Ministry
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    O novo sistema de defesa antiaérea do Irã se parece com os sistemas de defesa antiaérea dos Estados Unidos Patriot, mas é muito provável que Teerã tenha usado tecnologias russas e chinesas, opina analista militar.

    No domingo (9), o Ministério da Defesa do Irã apresentou seu novo sistema de defesa antiaérea de fabricação nacional, o Khordad 15. Ele é equipado com um radar e plataformas de lançamento de mísseis independentes e pode detectar tanto aviões quanto outros intrusos dentro de um raio de 150 quilômetros e rastreá-los a uma distância de 120 quilômetros.

    O analista Yuri Knutov, diretor do museu de sistemas de defesa antiaérea de Balashikha (região de Moscou), partilhou sua opinião acerca do novo sistema iraniano Khordad 15 em entrevista à RT.

    "Nas fotos podemos ver que o Khordad 15 tem um radar de acompanhamento e orientação, bem como antena de varredura eletrônica ativa. Isso é uma vantagem inegável do sistema", disse ele.

    "Contudo, o lançamento dos mísseis não se efetua de modo vertical, como na maioria dos sistemas de defesa antiaérea atuais, o que permite concluir que o novo sistema iraniano tem algumas desvantagens", opina Yuri Knutov.

    Ultimamente, o Irã tem realizado um programa de reequipamento de sistemas estrangeiros para sistemas de fabricação própria. Knutov considera que o objetivo principal de Teerã é a criação de um sistema de defesa antiaérea escalonada constituída por sistemas de curto, médio e longo alcance.

    "A ameaça principal para o Irã é um ataque aéreo dos EUA e Israel. A República Islâmica visa garantir a intercepção de mísseis de cruzeiro, diferentes munições aéreas, drones e aviões de combate", disse ele.

    "A propósito, o Irã já interceptou vários drones. Por exemplo, em 2011 eles conseguiram pousar um drone norte-americano RQ-170 Sentinel via meios de guerra eletrônica", recordou o analista militar.

    De acordo com o analista, o Irã usa sobretudo sistemas de defesa obsoletos. O isolamento internacional prejudica o processo de modernização a par da falta de especialistas e recursos financeiros.

    "Não há informação pública sobre testes dos sistemas de defesa antiaérea e radares iranianos. Eles também não foram usados em combate. Por isso, é muito difícil avaliar os sucessos do Irã. É evidente que o Irã não passou sem ajuda da Rússia e da China", destacou o analista.

    Os militares do Irã aproveitam a experiência de funcionamento do sistema de defesa antiaérea da Síria que repele regularmente ataques de Israel, considera Knutov.

    O analista está convencido que o Irã, em curto prazo, pode aumentar as capacidades da sua defesa antiaérea através da compra de sistemas russos Tor-M2 e Pantsir.

    "O Irã não tem restrições internacionais à compra de sistemas de defesa antiaérea. As divisões de S-300 ajudam a república a proteger sua infraestrutura mais importante. Porém, qualquer sistema de longo alcance e qualquer radar precisam de cobertura", revela o analista.

    A República Islâmica do Irã não tem um número suficiente de sistemas de defesa antiaérea de curto alcance, entretanto, os sistemas Tor e Pantsir mostraram suas boas qualidades na Síria, acha Yuri Knutov.

    "O Irã atingiu certos sucessos na esfera dos sistemas de defesa antiaérea, mas não poderá passar sem aquisição de material bélico avançado da Rússia e da China", concluiu ele.

    Outro analista, o editor-chefe do site MilitaryRussia.ru, Dmitry Kornev, fez comentários sobre o novo armamento iraniano. Ele opina que o país alcançou um nível tecnológico relativamente alto.

    "O Irã é obrigado a desenvolver a indústria de defesa em condições de isolamento. Na época do xá, o país dependia totalmente do Ocidente", disse ele.

    "Depois de 1979, os iranianos aprenderam a modernizar os sistemas de defesa antiaérea e radares estrangeiros, depois começaram a desenvolver seus próprios modelos copiando elementos dos sistemas russos e chineses', recorda Kornev.

    De acordo com o analista militar, os dirigentes do Irã podiam exagerar as capacidades de seus sistemas, porém, a maioria do armamento do Irã possui capacidade de combate. Ele destacou como sucesso o sistema de defesa antiaérea Bavar 373.

    "Quando o Irã apresentou o Bavar 373 pela primeira vez em um desfile militar, ele fazia muito lembrar o sistema russo S-300, e muitos o consideraram como uma cópia do sistema russo Favorit. Mas mais tarde foi apresentado um modelo de combate com outros lançadores e se tornou claro que o Irã criou algo original", disse ele.

    Dmitry Kornev revela que o material bélico iraniano não tem uma eficiência comparável com o armamento russo, em particular o S-300, mas o país é capaz de resistir ao Ocidente.

    Atualmente, o sistema de defesa antiaérea do Irã consiste de sistemas de longo alcance Talash e Bavar 373 e de médio alcance Raad e Mersad. Eles também usam os sistemas russos S-300PMU-2 Favorit, fornecidos em 2016.

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    Patriot, Bavar 373, China, Pantsir, Tor-M2, Israel, EUA, defesa antiaérea, S-300, Ministério da Defesa do Irã, Irã
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