06:14 18 Setembro 2019
Ouvir Rádio
    O presidente do Conselho de Estado da República de Cuba, Raúl Castro, e o vice-premiê russo, Dmitry Rogozin

    O que significam as viagens de políticos russos à América Latina?

    © Sputnik / Sergei Mamontov
    Defesa
    URL curta
    17260
    Nos siga no

    Ao longo dos últimos anos os contatos entre as autoridades russas e latino-americanas no domínio militar se têm intensificado, apesar de um longo período de impasse após o colapso da URSS. O analista da RIA Novosti Aleksandr Khrolenko analisa as causas e perspectivas de tal estreitamento dos laços.

    Uma fila de encontros de toda a espécie

    Entre 7 e 9 de dezembro, o vice-premiê russo Dmitry Rogozin, que é responsável pelos assuntos da defesa, se encontrou com as autoridades da Venezuela, Nicarágua e Cuba e conduziu negociações na esfera da defesa e segurança. Os contatos russos com os países da América Latina se enquadram na nova doutrina militar russa.

    Em fevereiro de 2015, a visita de 4 dias do ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, à Venezuela, Nicarágua e Cuba virou mais uma etapa de criação do sistema de segurança no âmbito da dissuasão não nuclear.

    Mais cedo, em 2014, no decorrer de uma visita de 6 dias à região latino-americano, o presidente russo, Vladimir Putin, se encontrou com os líderes cubano, argentino, brasileiro e nicaraguano, lançando os alicerces da cooperação militar e comercial para os anos seguintes.

    Fidel Castro, no centro, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Havana, Cuba. Foto de 11 de julho de 2014.
    © AP Photo / Alex Castro
    Fidel Castro, no centro, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Havana, Cuba. Foto de 11 de julho de 2014.

    Tomando em conta este aumento evidente dos contatos pessoais entre as mais altas entidades do Estado, se pode dizer que Moscou está tendo sucessos em restaurar as suas posições na América Latina, perdidas no período pós-soviético, sendo que a região evidencia também uma queda da influência dos EUA.

    Impõe-se a pergunta: quais os benefícios que a cooperação militar e técnica com a Venezuela, Nicarágua e Cuba pode trazer à Rússia?

    Qual é o interesse dos próprios latino-americanos?

    Por tradição, a Venezuela partilha a postura russa quanto aos conflitos sírio e ucraniano. Moscou, por sua vez, apoia a abordagem neutra de Caracas no palco internacional. Os países vêm desenvolvendo a cooperação militar.

    Na Venezuela há grande procura por caças, helicópteros, sistemas antiaéreos, veículos blindados e armas de fogo. Existe também m programa de manobras conjuntas e visitas de navios russos nos portos venezuelanos.

    Em breve, a Venezuela se tornará o primeiro país no mundo (a seguir à Rússia) a produzir legalmente o fuzil de assalto Kalashnikov.

    As Forças Armadas da Venezuela, que integram 90 mil militares, são equipadas com armamentos modernos e consideradas umas das mais aptas para o combate na América Latina.

    As próximas negociações da comissão intergovernamental se realizarão no outono de 2017, em Sevastopol.

    Um outro encontro marcante foi a reunião de Dmitry Rogozin em Manágua, da qual participaram o presidente nicaraguano Daniel Ortega, o vice-presidente Rosario Murillo e Julio César Avilés, comandante em chefe do Exército da Nicarágua.

    As autoridades nicaraguanas planejam comprar caças multifuncionais MiG-29 e navios de patrulhamento russos. Além disso, existe um projeto de construção do Canal da Nicarágua, uma estrutura estrategicamente importante da qual tomam parte a Rússia e a China.

    As Forças Armadas nicaraguanas contam com 12 mil militares e integram tropas terrestres, Força Aérea e Marinha.

    No que diz respeito a Cuba, o país continua um parceiro importante da Rússia apesar da pressão contínua por parte dos países ocidentais. Os presidentes da comissão intergovernamental russo-cubana, Dmitry Rogozin e Ricardo Cabrias Ruíz, celebraram um programa de cooperação tecnológica entre os dois países na área da defesa até 2020. Moscou ajudará Havana a modernizar e fortalecer seu Exército.

    As Forças Armadas cubanas contam com 75 mil militares e são equipadas com armamentos de produção soviética.

    Estratégia a longo prazo

    Há que destacar que a população total da Venezuela, Nicarágua e Cuba é cerca de 48 milhões, o que não é pouco. Além disso, os respectivos exércitos têm 180 mil militares ao serviço, sendo que os povos destes países possuem grande tradição militar, potencial mobilizador e estão prontos para defender sua Pátria com armas na mão.

    O território conjunto da Venezuela, Cuba e Nicarágua supera o do Reino Unido, Alemanha e França juntos, mas isto não é o mais importante. Estando situados na zona do Atlântico Norte e abraçando o Caribe com suas áreas costeiras, estes países representam potencialmente um ótimo sistema de bases navais para os navios da Marinha russa.

    A Rússia, que está desenvolvendo uma cooperação militar bem sucedida com as Marinhas chinesa e indiana, parece se voltar cada vez mais para o Atlântico também. Se tomarmos em conta que hoje em dia a Rússia conta com 27% do mercado internacional de armamentos, enquanto a expetativa de crescimento deste setor na América Latina é muito grande (50 bilhões de dólares na próxima década), as estimativas de cooperação bilateral são bastante elevadas.

    Mais:

    América Latina viveu uma tempestade perfeita, segundo Dilma e Kirchner
    América Latina aguarda investimentos chineses
    Exércitos da América Latina dão atenção especial à política doméstica
    Tags:
    visita oficial, negociações, navios de guerra, comércio de armas, Marinha, tropas, Exército, cooperação militar, Kalashnikov, MiG-29, Vladimir Putin, Sergei Shoigu, Daniel Ortega, Dmitry Rogozin, Rússia, Nicarágua, Cuba, Venezuela
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar