14:22 21 Setembro 2019
Ouvir Rádio
    Inauguração dos exercícios Trident Juncture em Trapani, na Itália

    Meia-volta volver! Porque quer a OTAN melhorar relações com a Rússia

    © AFP 2019 / MARCELLO PATERNOSTRO
    Defesa
    URL curta
    15272
    Nos siga no

    É pouco provável que a Organização do Tratado do Atlântico Norte abandone sua postura de contrariar a Rússia, o que tem determinado todas as decisões da Aliança nos últimos anos. Porém, o analista político Andrei Koshkin disse à Sputnik que o bloco está pensando em reajustar sua posição e melhorar as relações com Moscou.

    Embora não seja óbvio, mas a OTAN começou se afastando de sua postura rígida antirrussa. "A correção do rumo, a meu ver, está começando a dominar a agenda [do bloco]. Até à próxima cúpula da OTAN, a liderança da aliança militar, aparentemente assumirá um discurso mais calmo em relação à Rússia", disse ele, se referindo ao evento que ocorrerá daqui a pouco em Varsóvia.

    Tal mudança na política do bloco, se realmente acontecer, vai marcar uma contramarcha na intensificação das ações determinadas da Aliança na Europa central e oriental, assim como na região do Mar Báltico, que tem dominado a pauta depois da reunificação democrática da Crimeia com a Rússia e do desenrolar da crise ucraniana. Altos funcionários da OTAN, especialmente o ex-Comandante Supremo Aliado na Europa (SACEUR), general Philip M. Breedlove, insistiram que a Rússia passou a representar a maior ameaça tanto para a Aliança como para a ordem mundial global.

    De acordo com o analista, a reação da Rússia fez com que a OTAN deixe de considerar tal abordagem como viável e sustentável.

    "O desejo [da OTAN] de retomar o diálogo prova que a resposta da Rússia ao fortalecimento militar do bloco é adequadamente equilibrada. Não temos outra opção, as nossas ações são justificadas. É o que me faz acreditar que a Aliança vai ajustar sua abordagem. O processo já teve início. [A Aliança] já está negociando uma eventual correção de rumo na postura referente a Rússia", explicou Koshkin.

    O analista mencionou ainda que a alteração radical das estratégias da OTAN relativas à Rússia vai demorar bastante, devido ao fato de os integrantes da Aliança terem opiniões diferentes sobre o assunto.

    "Além disso, esta orquestra tem seu maestro, os Estados Unidos", adiciona o analista.

    A OTAN está se preparando para a cúpula da Aliança na Polônia, que ocorrerá entre 8 e 9 deste julho. O bloco já tem revelado algumas medidas que serão formalmente aprovadas na semana que vem. Entre estas está o deslocamento de quatro batalhões internacionais para a Lituânia, Letônia, Estônia e Polônia em sistema rotativo sob alegação da ameaça não-existente por parte da Rússia.

    • Saber Strike 2016, Estônia
      Saber Strike 2016, Estônia
      © Sputnik / Sergei Stepanov
    • Paraquedistas americanos em treinamento na Estônia
      Paraquedistas americanos em treinamento na Estônia
    • Soldado estoniano participa dos exercícios militares anuais em conjunto com as tropas da OTAN, Estônia, maio de 2014 (foto de arquivo)
      Soldado estoniano participa dos exercícios militares anuais em conjunto com as tropas da OTAN, Estônia, maio de 2014 (foto de arquivo)
      © AFP 2019 / RAIGO PAJULA
    • Ensaios militares Rapid Trident 2015 na Ucrânia
      Ensaios militares Rapid Trident 2015 na Ucrânia
    • Parceiros norte-americanos e estônios treinam em conjunto (foto de arquivo)
      Parceiros norte-americanos e estônios treinam em conjunto (foto de arquivo)
    • Militares ucranianos participam dos exercícios Rapid Trident realizados pela OTAN, oeste da Ucrânia, setembro de 2014
      Militares ucranianos participam dos exercícios Rapid Trident realizados pela OTAN, oeste da Ucrânia, setembro de 2014
      © AFP 2019 / YURIY DYACHYSHYN
    1 / 6
    © Sputnik / Sergei Stepanov
    Saber Strike 2016, Estônia

    Mesmo que a mudança da abordagem da OTAN a Moscou esteja prestes a ocorrer, as autoridades russas não têm conhecimento disso.

    Ontem (30), o presidente Vladimir Putin chamou a expansão do bloco para oriente "de um grande erro", acrescentando que a Aliança poderia se ter focado, em vez disso, na criação de "uma nova arquitetura de segurança comum e integral da costa do Atlântico até ao Pacífico", com a Rússia exercendo papel de "parceiro de pleno direito".

    "Parece que hoje a OTAN está fazendo um show da sua postura antirrussa. Além de procurar por qualquer ação da Rússia, que pudesse justificar a legitimidade e necessidade da existência do bloco, a organização está dando passos no sentido de confrontação", disse o líder do país.

    No dia anterior, o chanceler russo Sergei Lavrov chamou às relações entre Moscou e OTAN de "decepcionantes", reiterando ainda que o bloco fez com que as relações bilaterais tivessem sido congeladas.

    Mais:

    Opinião: Brexit ajuda a evitar a guerra entre Rússia e OTAN
    Polônia ameaça Rússia de aumentar número de tropas da OTAN
    Militares portugueses chegam a Lituânia em sistema rotativo
    Consequências do Brexit: nova estratégia europeia abre caminho a exército europeu
    Fortalecimento militar da OTAN mina reaproximação entre Rússia e Turquia
    Tags:
    política de segurança, alteração, mudança, militar, ameaça, tensão, relações diplomáticas, analista, diplomacia, SACEUR, Cúpula da OTAN, OTAN, Philip Breedlove, Varsóvia, Países Bálticos, Europa Oriental, EUA, Rússia, Polônia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar