20:25 23 Outubro 2021
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    O concreto geralmente começa a rachar e desmoronar depois de algumas décadas de vida, mas, esse não era o caso com muitas estruturas romanas. Nova pesquisa aborda a durabilidade do concreto romano.

    Uma nova pesquisa publicada no jornal científico Journal of the American Ceramic Society mostra que a qualidade do concreto do túmulo de Cecília Metela, construído no século I a.C., excede a de monumentos contemporâneos de Metela devido ao agregado vulcânico que os construtores escolheram e às interações químicas incomuns com a chuva e lençóis freáticos que se acumulam ao longo de dois milênios.

    "Compreender a formação e os processos de materiais antigos pode informar os pesquisadores sobre novas maneiras de criar materiais de construção duráveis ​​e sustentáveis ​​para o futuro [...]. O túmulo de Cecília Metela é uma das estruturas mais antigas ainda de pé, oferecendo ideias que podem inspirar a construção moderna", explica Admir Masic, coautor da pesquisa, em comunicado.

    Metela pertencia a uma família aristocrática e se casou com um membro da família de Marco Crasso, formando assim uma famosa aliança entre Júlio César e Pompeu. O túmulo é um dos mais conhecidos e bem preservados monumentos ao longo da Via Ápia, uma das principais estradas da antiga Roma e um popular destino turístico.

    Tumba romana de 2.050 anos oferece maior compreensão sobre a resistência do concreto antigo. A tumba de Cecília Metela e as ruínas do castelo Caetani em Roma

    "A construção deste monumento e ponto de referência muito inovador e robusto na Via Ápia indica que ela [Metela] era muito respeitada [...] e o concreto, 2.050 anos depois reflete uma presença forte e resiliente", afirma Marie Jackson, coautora do estudo.

    Sabedoria romana

    A tumba de Metela é composta por grossas paredes de tijolo ou agregado de rocha vulcânica ligada com argamassa feita com cal e piroclasto (fragmentos porosos de vidro e cristais de erupções explosivas).

    ​Os pesquisadores perceberam que os cristais do mineral leucita, rico em potássio, presentes no agregado vulcânico se dissolvem com o tempo para remodelar e reorganizar de forma benéfica a interação entre os agregados vulcânicos e a matriz de ligação cimentícia, melhorando a coesão do concreto.

    "Focar no projeto de concretos modernos com zonas compartilhadas de reforço constante pode nos fornecer mais uma estratégia para melhorar a durabilidade dos materiais de construção modernos [...]. Fazer isso por meio da integração da comprovada 'sabedoria romana' fornece uma estratégia sustentável que pode melhorar a longevidade de nossas soluções modernas em ordens de magnitude", garante Masic.

    Masic acrescenta que a conexão entre os agregados vulcânicos e a argamassa de qualquer concreto é fundamental para a durabilidade da estrutura e destaca que essa interação no túmulo de Metela está em "constante evolução por meio de uma remodelação de longo prazo [...]. Esses processos de remodelação reforçam as zonas de conexão e potencialmente contribuem para melhorar o desempenho mecânico e a resistência à ruptura do material antigo".

    Stefano Roascio, arqueólogo responsável pela tumba, observa que o estudo tem uma grande relevância para a compreensão de outras estruturas de concreto antigas e históricas.

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    Tags:
    tumba, Roma, túmulo, concreto, cientistas
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