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    De acordo com os mais recentes modelos cosmológicos, grandes galáxias espirais como a nossa Via Láctea cresceram "engolindo" galáxias menores – uma espécie de canibalismo galáctico.

    Evidências deste processo são representadas por estruturas maciças chamadas de correntes de maré estelares, que são os restos das galáxias engolidas observados em torno de outras galáxias maiores, escreve portal Science Daily.

    Uma corrente estelar é uma acumulação de estrelas orbitando uma galáxia que era outrora um aglomerado globular ou uma galáxia anã e se encontra agora dividida e estendida ao longo de sua órbita por forças de maré gravitacionais.

    No entanto, é difícil estudar o histórico completo destes casos, porque estas correntes estelares são muito tênues e têm sido detectados apenas os restos das fusões mais recentes.

    Imagem da galáxia Sombrero feita pelo telescópio Hubble
    Imagem da galáxia Sombrero feita pelo telescópio Hubble

    No estudo, conduzido pelo Instituto de Astrofísica de Andaluzia (IAA-CSIC) com participação do Instituto de Astrofísica de Canárias (IAC), os pesquisadores fizeram observações detalhadas de uma grande corrente estelar em torno da galáxia Sombrero, também conhecida como Messier 104 ou NGC 4594, cuja estranha morfologia ainda não foi definitivamente explicada. Os resultados do estudo foram publicados em revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

    M104 se encontra a cerca de 30 milhões de anos-luz da Terra, tem aproximadamente um terço do diâmetro da Via Láctea e exibe características de ambos os tipos de galáxias dominantes no Universo, as espirais e as elípticas. Possui "braços" espirais e uma grande saliência central brilhante, o que a faz parecer um híbrido dos dois tipos.

    A anterior descoberta de estrelas extremamente ricas em metais no halo da galáxia Sombrero sugerem que a galáxia passou recentemente por uma grande fusão com uma galáxia relativamente maciça.

    Representação artística da corrente de maré ao redor da galáxia Sombrero (M104)
    Representação artística da corrente de maré ao redor da galáxia Sombrero (M104)

    Já no novo estudo, os pesquisadores observaram a estrutura de maré em forma de anel na região do halo interno da galáxia Sombrero.

    "É notável que, graças a técnicas fotométricas avançadas, temos sido capazes de fazer ciência de linha de frente com um objeto Messier usando apenas um telescópio de 18 cm de diâmetro", disse coautor do estudo Javier Román, pesquisador de pós-doutorado do CSIC.

    O resultado da pesquisa está em alinhamento com a hipótese de que a galáxia foi criada por uma "grande fusão molhada", um evento que teria ocorrido mais de 3,5 bilhões de anos atrás e que aqueceu a população estelar.

    A "fusão molhada" é um cenário em que uma grande galáxia elíptica é rejuvenescida por grandes quantidades de gás e poeira de outra galáxia maciça, que entrou na formação do disco que agora observamos, explicam astrônomos.

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    Tags:
    telescópio, Via Láctea, galáxias
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