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    Estudiosos encontram ossos de cachorro e de 11 pessoas na mesma tumba perto da região de Al-Ula, na Arábia Saudita. Evidências revelam hábitos até então desconhecidos de sepultamento e de domesticação de cachorros.

    Uma equipe de arqueólogos descobriu restos mortais de um cachorro e 11 pessoas em uma tumba monumental perto da região de Al-Ula, que fica no noroeste da Arábia Saudita. A tumba, datada de 4.300 a.C., fica em um local montanhoso vulcânico e foi detectada durante uma pesquisa que utilizou imagens de satélite e fotografia aérea por helicóptero.

    A descoberta veio de um dos projetos em pesquisas arqueológicas em grande escala e escavações da região encomendadas pela Comissão Real de Al-Ula (RCU, na sigla em inglês), cujo trabalho de campo de base começou no final de 2018. Os resultados foram publicados no Journal of Field Archaeology.

    Esta é considerada uma das primeiras tumbas monumentais identificadas na Arábia, mais ou menos contemporânea. As evidências mostram que a tumba recebeu sepultamentos por pelo menos 600 anos durante o Neolítico-Calcolítico – uma indicação de que os 11 corpos podem ter uma memória compartilhada de pessoas e lugares e a conexão entre eles.

    Mais especificamente, no solo de terras altas vulcânicas, o que os cientistas recuperaram foram 26 fragmentos de ossos de um único cachorro ao lado de ossos de 11 humanos sendo seis adultos, um adolescente e quatro crianças.

    "O que estamos descobrindo vai revolucionar a forma como vemos períodos como o Neolítico no Oriente Médio. Ter esse tipo de memória, que as pessoas podem saber há centenas de anos onde seus parentes foram enterrados – isso é inédito neste período e nesta região", disse Melissa Kennedy, diretora assistente do projeto Arqueologia Aérea do Reino da Arábia Saudita (AAKSAU) de Al-Ula.

    O túmulo descoberto em uma área de deserto de Al-Ula, na Arábia Saudita, é considerado raro para a Arábia do período Neolítico-Calcolítico por ter sido construído acima do solo e destinado a ser visualmente proeminente
    O túmulo descoberto em uma área de deserto de Al-Ula, na Arábia Saudita, é considerado raro para a Arábia do período Neolítico-Calcolítico por ter sido construído acima do solo e destinado a ser visualmente proeminente
    "Al-Ula está em um ponto em que começaremos a perceber o quão importante foi para o desenvolvimento da humanidade em todo o Oriente Médio", disse o diretor da AAKSAU, Hugh Thomas.

    Além disso, a equipe conseguiu determinar que os ossos de animal eram mesmo de um cachorro e não de um semelhante, como um lobo do deserto. A ossada apresentava sinais de artrite, o que sugere que o animal viveu com os humanos até a meia-idade ou velhice.

    Desta maneira, o estudo comprova as mais antigas evidências da domesticação canina pelos habitantes da região, conclui que a domesticação de cães na península Arábica já acontecia cerca de 1.000 anos antes do que se pensava, e condiz com a arte rupestre da região que retrata cães ajudando na caça de íbex - uma espécie de mamífero bovídeo caprino - e outros animais.

    Cena de caça representando um caçador com cães e lêmure gigante
    Cena de caça representando um caçador com cães e lêmure gigante

    Também foi recuperado do local um pingente de madrepérola em forma de folha. Em uma segunda tumba, datada do quarto milênio a.C. e encontrada a cerca de 80 milhas de distância, em terras áridas. Nela foi encontrada outra joia, uma pérola de cornalina que também teria sido uma característica reconhecível na paisagem circundante, disse Melissa Kennedy.

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    Tags:
    túmulo, cão, cachorro, tumba, Arábia Saudita, Península Arábica
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