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    Um estudo conduzido pelo Hospital da Universidade de Oslo indicou existir uma conexão entre a vacina da AstraZeneca contra a COVID-19 e a formação de coágulos sanguíneos, baixos níveis de plaquetas no sangue e hemorragias.

    O estudo em causa foi revisado e publicado na sexta-feira (9) pela revista científica The New England Journal of Medicine.

    Segundo o mesmo, a baixa quantidade de plaquetas induzida pela vacina em coágulos sanguíneos pode ser mais frequente do que a encontrada em estudos anteriores que examinaram a segurança do medicamento.

    Em dez dias de vacinação, o Hospital da Universidade de Oslo recebeu cinco pacientes que, inicialmente, se encontravam saudáveis e com um número elevado de anticorpos, o que é pensado ser uma razão direta da forte resposta imune. Destes, três morreram, e os outros dois se recuperaram completamente, informou Pal Andre Home, médico-chefe e professor do Hospital de Rikshospitalet, à emissora norueguesa NRK.

    Dos cinco pacientes levados em consideração, quatro eram mulheres, de 32 a 54 anos. Uma semana após serem vacinadas, sentiram dores de cabeça, abdominais, e nas costas, antes de ficarem gravemente doentes, explica Nina Haagenrud Schultz, principal autora do estudo.

    Homem recebe injeção com dose da vacina AstraZeneca coronavírus, em centro de vacinação da mesquita Baitul Futuh, em meio ao surto da doença coronavírus, em Londres, Grã-Bretanha, 28 de março de 2021
    © REUTERS / HENRY NICHOLLS
    Homem recebe injeção com dose da vacina AstraZeneca coronavírus, em centro de vacinação da mesquita Baitul Futuh, em meio ao surto da doença coronavírus, em Londres, Grã-Bretanha, 28 de março de 2021
    Assim, os pesquisadores não conseguiram encontrar nada em comum nos cinco pacientes com coágulos sanguíneos além da vacina.

    Ingvild Sorvoll, chefe do grupo de pesquisa da Universidade da Noruega do Norte, comparou os efeitos secundários encontrados nos pacientes estudados a uma condição conhecida na qual anticorpos são formados para reagir a um medicamento chamado heparina.

    "No entanto, estes pacientes não receberam heparina. Por isso pensamos que pudesse ser um subgrupo de uma trombocitopenia induzida por heparina autoimune", ponderou Sorvoll, que acrescentou que a equipe encontrou "níveis extremamente elevados de anticorpos. Estes anticorpos rompem a escala no nosso laboratório. Quando olhamos a literatura, tais anticorpos nunca foram descritos antes no desenvolvimento de vacinação".

    Até agora, ainda é desconhecido o mecanismo que influencia esta reação, mas este estudo deverá influenciar a decisão da Noruega em continuar, ou não, com a vacinação usando o imunizante da AstraZeneca.

    No mês passado, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) informou que não havia evidências de que a vacina da AstraZeneca provocaria riscos no sangue, após a aplicação da vacina contra a COVID-19, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, ter sido suspensa em uma série de países europeus, incluindo Alemanha, França, Espanha, Portugal e Itália.

    Estes teriam parado de usar o imunizante por precaução, após relatos de casos de trombose. Porém, o Comitê de Avaliação do Risco em Farmacovigilância europeu chegou a uma conclusão científica clara – a vacina da AstraZeneca é segura e eficaz, e vários países voltaram a usá-la.

    Contudo, com o passar do tempo, surgiram novos casos de trombose e coagulação sanguínea em pacientes que teriam sido vacinados com o imunizante da AstraZeneca. Desta vez, a EMA reconheceu que haveria, de fato, uma ligação direta entre a vacina da AstraZeneca e tais acontecimentos, sendo que vários dos últimos resultaram na morte de pacientes.

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    Tags:
    mortes, vacina, COVID-19, ciência, estudo, Noruega
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