18:51 15 Junho 2021
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    Dois cientistas dos EUA especificaram os critérios que permitiriam escolher o destino de uma viagem espacial entre vários buracos negros supermassivos e assim evitar a "espaguetização" do viajante.

    Viajar com segurança dentro de um buraco negro supermassivo é uma missão impossível para o ser humano, requer encontrar um que seja suficientemente grande e esteja completamente isolado, de tal maneira que não se alimente de nenhum material circundante.

    Assim, o estimam dois professores assistentes da Faculdade Grinnell (EUA), Leo Rodríguez e Shanshan Rodríguez, que admitem que se trata de "uma armadilha bastante complicada" porque quem consiga cumprir esta viagem não poderá sequer pensar em compartilhar com o resto do mundo o que pode ter visto ou o que ficou sabendo.

    "O horizonte de eventos de um buraco negro é um ponto sem volta", relembram os autores em um artigo na revista The Conversation. Tudo o que se passa lá "será engolido pelo buraco negro e desaparecerá para sempre do nosso Universo conhecido", algo que inclui corpos possíveis e informações sobre eventuais descobertas.

    No entanto, a tarefa mais essencial seria sobreviver à aproximação do buraco negro, dado que a maior ameaça provem da variável força de atração que o buraco exerce sobre diferentes partes de um mesmo corpo, no que é conhecido como efeito de espaguetização, ou seja, um viajante não sobreviveria ao ser esticado em forma de um longo e fino espaguete.

    Pessoa caindo no buraco negro e sendo esticada na medida que atinge o horizonte do buraco (esquema)
    Pessoa caindo no buraco negro e sendo esticada na medida que atinge o horizonte do buraco (esquema)

    Porém, uma série de cálculos matemáticos ajudou os pesquisadores a planejarem os critérios que devem atender o ponto de destino para que a morte do viajante não seja inevitável.

    O assunto-chave é a distância entre seu centro e o horizonte de eventos, ou seja, o limite óptico dentro do qual o buraco negro absorve toda a luz e não a deixa sair. O raio deste horizonte depende da massa do próprio buraco: se for de massa solar, haverá um raio de aproximadamente três quilômetros estre seu centro e seu horizonte de eventos. Neste caso, a atração que exerce poderá variar até um bilhão de vezes entre a cabeça e os pés de uma pessoa.

    Se um hipotético indivíduo caísse sobre esse "pequeno" buraco com os pés primeiro, o puxão gravitacional em suas extremidades inferiores, durante sua passagem pelo horizonte de eventos, seria muito mais forte em comparação ao que experimentaria em sua cabeça. Assim, a diferença entre as forças de atração esticaria o corpo humano até o fragmentar.

    Em particular, o buraco negro supermassivo que está no centro de nossa galáxia, a Via Láctea, é muito mais apropriado para cair sobre ele enquanto mantém a integridade física. Este buraco tem uma massa de aproximadamente quatro milhões de sóis e um horizonte de eventos com um raio de 11,7 milhões de quilômetros ou 17 raios solares.

    Ainda assim, isso não é suficiente para assegurar a vida enquanto a queda, uma vez que os buracos negros rodeados pelo pó ou por objetos celestes como estrelas e planetas geralmente formam seus discos de acreção a partir desse material, que são muito quentes e turbulentos.

    "Certamente não são hospitaleiros e fariam com que a viagem ao buraco negro fosse extremamente perigosa", afirmam os pesquisadores. Por tais motivos, os autores recomendam optar por um buraco negro supermassivo e isolado para poder entrar e o estudar por dentro, levando sempre em conta que a viagem e as descobertas se perderiam definitivamente para o resto do Universo.

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    Tags:
    astrofísica, Universo, espaço, buraco negro
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