05:52 01 Março 2021
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    As geleiras ainda existentes na superfície de Marte estão abrindo páginas do passado. É possível que o Planeta Vermelho tenha presenciado de seis a 20 eras do gelo nos últimos 300 milhões a 800 milhões de anos, segundo análise das geleiras marcianas.

    Deferentemente das geleiras terrestres, as marcianas ainda permanecem na superfície do planeta e não apenas nos polos. E continuam congeladas, visto que a temperatura média do Planeta Vermelho é de, aproximadamente, -62,8 ºC nos últimos 300 milhões de anos, estando apenas cobertas por detritos, de acordo com a CNN.

    "Todas as rochas e areia carregadas pelo gelo permaneceram na superfície", afirma Joe Levy, geólogo planetário, professor de Geologia na Universidade Colgate, nos EUA, e autor do estudo publicado na segunda-feira (18) na revista científica Proceedings of the National Academies of Sciences. "É como colocar gelo em um refrigerador sob todos aqueles sedimentos."

    As geleiras de Marte há muito tempo representam um mistério para os geólogos que tentam determinar se houve uma era do gelo marciana estendida, ou se se formaram durante eras do gelo diferentes ao longo de milhões de anos. O estudo das rochas encontradas na superfície das geleiras poderá responder a essa questão.

    Levy determinou que, como as rochas sofrem erosão com o tempo, a descoberta de rochas que mudaram de tamanho em declive sugeriria uma era do gelo.

    Visto ser ainda impossível visitar Marte e estudar sua superfície pessoalmente, Levy e outros dez alunos da Universidade Colgate utilizaram imagens de 45 geleiras tiradas pelo Orbitador de Reconhecimento de Marte da NASA.

    A alta resolução das imagens permitiu aos pesquisadores contar as rochas e determinar seus tamanhos. Os cientistas contaram e mediram cerca de 60 mil rochas, com ajuda de inteligência artificial, que diminui parte do trabalho que, por si só, levou dois verões para ser concluído. No entanto, a inteligência artificial não consegue distinguir as rochas da superfície da geleira.

    Comparação das densidades das rochas das superfícies das geleiras Mullins e Friedman, na Terra (à esquerda), e de três locais em Marte (à direita)
    © CC BY 4.0 / Joseph S. Levy, Caleb I. Fassett, John W. Holt, Reid Parsons, Will Cipolli, Timothy A. Goudge, Michelle Tebolt, Lily Kuentz, Jessica Johnson, Fairuz Ishraque, Bronson Cvijanovich, and Ian Armstrong / Published by PNAS
    Comparação das densidades das rochas das superfícies das geleiras Mullins e Friedman, na Terra (à esquerda), e de três locais em Marte (à direita)
    "Na verdade, as rochas estavam nos contando uma história diferente", disse Levy. "Não era o tamanho que importava, mas como elas estavam agrupadas."

    As rochas estavam viajando dentro das geleiras, em vez de fora delas, e por isso não sofreram erosão. Contudo, estas eram visíveis em anéis de destroços na superfície das geleiras, sendo que esses anéis ajudam a marcar fluxos distintos de gelo que se formaram durante diferentes eras do gelo.

    As eras do gelo são causadas quando a inclinação do eixo de um planeta muda. Em Marte, eras do gelo distintas se formaram separadamente para refletir os tempos oscilados sobre seu eixo. Esta informação lança alguma luz sobre o conhecimento do clima marciano e como ele tem mudado ao longo do tempo.

    Cratera marciana Korolev fotografada pela sonda Mars Express da ESA
    Cratera marciana Korolev fotografada pela sonda Mars Express da ESA
    As descobertas da equipe de pesquisadores sugeriram que Marte presenciou várias eras do gelo. "Este artigo é a primeira evidência geológica do que a órbita e a obliquidade de Marte poderiam estar fazendo há centenas de milhões de anos", segundo Levy. "Essas geleiras são pequenas cápsulas do tempo, capturadoras do que estaria sendo soprado na atmosfera marciana. Agora sabemos que temos acesso a essas centenas de milhões de anos da história marciana sem ter que perfurar profundamente sua crosta."

    Adicionalmente, o conteúdo das geleiras do Planeta Vermelho pode incluir evidências de vida que pode ter existido em Marte. "Se houver biomarcadores por perto, eles também vão estar presos no gelo", acredita Levy.

    A descoberta das faixas rochosas dentro das geleiras é também uma informação útil para os astronautas que, um dia, podem pousar em Marte e perfurar as geleiras para usar sua água gelada. Até lá, os cientistas continuarão mapeando geleiras no Planeta Vermelho, na esperança de aprender mais sobre o seu passado e se alguma vez existiu vida marciana.

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    Tags:
    inteligência artificial, geologia, ciência, idade do gelo, Marte
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