19:32 08 Maio 2021
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    Um grupo internacional de astrônomos identificou o quasar mais antigo e mais distante do Universo já identificado, que se formou por completo depois de 670 milhões de anos depois do Big Bang.

    O quasar, chamado J0313-1806, está a mais de 13 bilhões de anos-luz da Terra. Este quasar é alimentado por um buraco negro supermassivo, é 1,6 bilhão de vezes mais massivo que o Sol e tem um brilho mil vezes superior ao da Via Láctea, segundo estudo pulicado na revista Astrophysical Journal Letters.

    Astrônomos identificaram a distância exata do quasar usando o sistema de radiotelescópios ALMA no deserto de Atacama, Chile, o telescópio de 6,5 metros Magellan Baade do Observatório Las Campanas, Chile, telescópios Gemini no Chile e no Havaí e também observatório WM Keck no Havaí.

    Quasares surgem quando a gravidade de um buraco negro supermassivo no núcleo de uma galáxia junta a matéria ao redor, que resulta no surgimento de um disco girando em torno do buraco. A grande quantidade de energia produzida durante o surgimento faz o quasar irradiar tanto brilho que acaba eclipsando toda a galáxia.

    Astrônomos já observaram fenômenos parecidos, mas nunca observaram como quasares interagem com buracos negros no Universo precoce.

    Além disso, o buraco negro no núcleo do quasar J0313-1806 é duas vezes mais massivo do que seu antecessor, fornecendo informação valiosa sobre influência de buracos negros supermassivos deste tipo sobre suas galáxias natais.

    "É a prova mais antiga da influência de um buraco negro supermassivo sobre galáxia ao seu redor", segundo o diretor da pesquisa Feige Wang, do Observatório Steward da Universidade do Arizona. "Devido a observações de galáxias menos distantes, sabemos o que deve acontecer, mas nunca vimos isso acontecer tão precocemente no Universo."

    Os astrônomos sugeriram que o mecanismo da formação de quasar consiste em uma quantidade grande de gás de hidrogênio frio que se tornou em "feto" do buraco negro. Este mecanismo permitiu ao buraco negro supermassivo do quasar J0313-1806 crescer até 1,6 bilhão de massas solares em etapa precoce da existência do Universo, de acordo com os pesquisadores.

    Representação artística do quasar J0313–1806 logo depois da formação
    © Foto / NOIRLab / NSF / AURA / J. da Silva
    Representação artística do quasar J0313–1806 logo depois da formação

    A galáxia natal do quasar deve ter formado estrelas 200 vezes mais rápido que nossa Via Láctea, demonstrando que, mesmo crescendo rápido demais, a galáxia perdia 25 massas solares para o buraco negro em seu centro por ano.

    A energia emitida durante a absorção tão rápida põe em movimento um fluxo forte de gás ionizado, que se move a velocidades de cerca de 20% da velocidade da luz. O enorme fluxo de energia deve ter dado um basta ao surgimento de estrelas na galáxia, pressupõem os astrônomos.

    "Acreditamos que esses buracos negros supermassivos causaram a interrupção da formação de estrelas em muitas grandes galáxias", explicou Xiaohui Fan, da Universidade do Arizona. "Este quasar é a prova mais antiga de que o declínio poderia ter acontecido em tempos muito antigos."

    Pesquisadores esperam saber mais sobre quasares distantes durante próximas observações usando o telescópio espacial da NASA James Webb, cujo lançamento está planejado para acontecer em 2021.

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