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    Coronavírus no mundo no fim de outubro (54)
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    Pesquisador norte-americano avisa que mais de metade das pessoas que contraíram doença grave revelaram a presença de proteínas prejudiciais ao corpo humano.

    Muitos pacientes com COVID-19 grave criam autoanticorpos, que atacam o corpo deles em vez do vírus causador da doença, alerta Matthew Woodruff, um imunologista norte-americano, ao portal The Conversation.

    Os autoanticorpos são proteínas que podem ter diferentes comportamentos autodestrutivos para o corpo dependendo da doença, como, por exemplo, atacar o DNA de uma pessoa com lúpus ou visar outros anticorpos, como um portador de artrite reumatoide, uma doença autoimune.

    Woodruff, instrutor do Centro Lowance de Imunologia Humana da Universidade Emory, EUA, organizou um estudo com 52 pacientes em terapia intensiva infectados pela COVID-19, nenhum dos quais tinha um histórico de doenças autoimunes. No entanto, mais de metade deles mostrou ter autoanticorpos.

    "Em pacientes com os níveis mais altos de proteína C-reativa (um marcador de inflamação) no sangue, mais de dois terços apresentaram evidências de que seu sistema imunológico estava produzindo anticorpos que atacavam seus próprios tecidos", aponta.

    O cientista aconselha potenciais pesquisadores a procurar a presença de anticorpos antinucleares e de fator reumatoide, bem como a proteína C-reativa marcadora inflamatória, que refere serem as proteínas mais comuns encontradas no estudo, publicado no servidor de pré-impressão medRxiv.

    Matthew Woodruff também recomenda examinar esses pacientes para saber se uma COVID-19 de longo prazo está relacionada com autoanticorpos persistentes, observar novos desenvolvimentos de autoimunidade em doentes já recuperados, e possivelmente planejar uma intervenção reumatológica precoce.

    "Se sim, esses pacientes poderiam responder às mesmas terapias imunoterapêuticas direcionadas que foram bem-sucedidas no MIS-C [Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica, previamente registrada em casos de infecção por coronavírus], onde a produção de autoanticorpos já foi documentada", teoriza ele.

    Apesar de tudo, Matthew Woodruff adverte que não há uma relação clara estabelecida entre um estado grave causado pela COVID-19 e a presença de autoanticorpos e que tal pode ser um sintoma de infecção grave, e não sua causa. Ele também afirma que se desconhece a duração da presença desse tipo de proteínas, pelo que é necessário desenvolver mais pesquisas sobre o tema.

    "Agora temos as ferramentas. Chegou a hora de começar a usá-las", apela para comunidade científica.

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    Coronavírus no mundo no fim de outubro (54)

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    Tags:
    EUA, COVID-19
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