07:19 30 Outubro 2020
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    Estudo mostra que o rei dos tubarões não era apenas um exagero quando comparado às espécies de tubarão modernas. Mesmo entre parentes extintos, megalodonte era incomparável em comprimento e massa.

    Com um comprimento estimado até 15 metros, quase tão longo quanto uma pista de boliche, o megalodonte estava "fora da escala", escreveram os pesquisadores em um novo estudo. Evidências de tubarões extintos e vivos da ordem Lamniformes, o grupo que inclui o megalodonte, revelaram que o rei dos tubarões não era apenas um exagero extremo quando comparado às espécies de tubarão modernas; era também substancialmente maior do que o maior tubarão extinto em seguida na ordem dos Lamniformes em pelo menos sete metros, relataram os cientistas.

    Os tubarões modernos são bastante pequenos quando comparados com o megalodonte (Otodus megalodon). A maior espécie predatória conhecida, o grande tubarão-branco (Carcharodon carcharias), cresce até cerca de seis metros de comprimento, e o tubarão-baleia filtrador (Rhincodon typus), a maior espécie de peixe viva hoje, mede entre seis a dez metros do nariz à ponta da cauda, em média. Existem 13 espécies de tubarões lamniformes vivos hoje. Entre eles, encontram-se os tubarões-mako (gênero Isurus), os tubarões-duendes do fundo do mar (gênero Mitsukurina), os tubarões-raposa (gênero Alopias), e os tubarões-brancos.

    Comparação entre um homem de 1,65m de altura e um megalodonte
    © Foto / Oliver E. Demuth
    Comparação entre um homem de 1,65m de altura e um megalodonte

    A maioria dos fósseis de megalodonte datam de cerca de 15 milhões de anos atrás, e os lamniformes eram abundantes desde o final da era Mesozoica (entre 252 milhões a cerca de 66 milhões de anos atrás) até o início da era Cenozoica (desde 65 milhões de anos atrás até o presente). No entanto, pouco se sabe sobre a anatomia dos lamniformes extintos, uma vez que esqueletos de tubarão são feitos de cartilagem em vez de osso, e por isso são extremamente raros no registro fóssil, exceto por seus dentes fossilizados abundantes, disse o autor do estudo Kenshu Shimada, professor de paleobiologia da Universidade DePaul, em Chicago, e pesquisador associado no Sternberg Museu, em Kansas, ambos nos EUA.

    O tamanho do dente pode ser usado para estimar o tamanho do corpo de um tubarão porque conforme os tubarões crescem eles substituem continuamente seus dentes, que se tornarão maiores com o passar do tempo.

    No novo estudo, Shimada e seus colegas geraram uma nova ferramenta para calcular o comprimento do corpo: uma equação que representa a relação quantitativa real entre o comprimento do corpo e o tamanho do dente nos lamniformes. Os cientistas se basearam nos dentes e comprimentos corporais conhecidos de 32 tipos de tubarões lamniformes predadores, representando todas as 13 espécies que não consomem plâncton, Shimada explicou ao portal Live Science. Eles então aplicaram a equação para predadores lamniformes extintos.

    Com esta nova técnica, os cientistas descobriram que muitos tubarões lamniformes extintos eram bastante grandes, sendo divididos em quatro gêneros mesozoicos (Cretodus, Cretoxyrhina, Hispidaspis e Scapanorhynchus) e quatro gêneros Cenozoicos (Alopias, Carcharodon, Isurus e Otodus), e contendo pelo menos uma espécie de tubarão que cresceu mais de seis metros de comprimento.

    Dente fóssil de megalodonte
    Dente fóssil de megalodonte
    Contudo, existe a seguinte questão: por que é que esse grupo tem tantos tubarões gigantes?

    O professor Shimada suspeita que o gigantismo presente no grupo analisado tenha como origem a estratégia reprodutiva dos tubarões estudados: dar à luz filhotes "com um comportamento canibal de comer ovos" que nutre embriões que começam a nascer, permitindo que cresçam ainda dentro de suas mães, alimentando-se dos seus irmãos. Mesmo assim, a descrepância entre o megalodonte e seus parentes gigantes continua a ser bem visível.

    Apesar de existir um melhor conhecimento sobre o megalodonte do que antes, muitas questões fundamentais sobre o tamanho deste supertubarão ainda estão sem resposta, tais como os detalhes da sua estrutura corporal e a causa do gigantismo exagerado, afirma Shimada. O professor ainda acrescentou que a causa da extinção deste predador gigante "é outra grande questão fundamental que permanece sem solução".

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