08:46 28 Setembro 2020
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    Brasil lutando com COVID-19 no início de setembro (45)
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    Teste imunológico para coronavírus desenvolvido na UFPR é "muito mais rápido" e simples do que o tradicional, e ainda poderá ser usado para outras doenças, disse biólogo da instituição à Sputnik Brasil.

    Segundo Pesquisadores do Laboratório de Microbiologia Molecular da Universidade Federal do Paraná, Setor Litoral, o teste imunológico para a COVID-19 elaborado no centro tem uma performance muito melhor do que a sorologia tradicional, conhecida como Elisa (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay) que detecta a presença de anticorpos no organismo para a doença, 

    O coordenador do laboratório e responsável por conduzir a pesquisa, Luciano Fernandes Huergo, explica que o teste da UFPR é uma espécie de Elisa, mas com "grandes diferenciais", entre eles a rapidez dos resultados.

    "O princípio básico é o de um Elisa indireto usando nanopartículas magnéticas, isso deixa o processo muito mais rápido. No tradicional, o tempo total do teste é em torno de três horas. O Elisa magnético desenvolvido na UFPR leva 12 minutos. No momento, estamos processando 12 amostras simultâneas em 12 minutos, ou seja, dá mais ou menos um minuto por amostra", disse o biólogo à Sputnik Brasil. 
    Processo de detecção de anticorpos acontece em nanopartículas magnéticas revestidas com antígenos virais
    ©Divulgação UFPR
    Processo de detecção de anticorpos acontece em nanopartículas magnéticas revestidas com antígenos virais

    'Acurácia um pouco maior'

    De acordo com Huergo, essa potencial pode ir ainda mais longe. "E ainda assim é possível aumentar a escala para rodar 96 amostras em 12 minutos", complementou. 

    Os pesquisadores indicam também que a eficiência do novo teste é melhor, além do processo de coleta ser mais simples. 

    "Além disso, pelo fato de estarmos usando partículas eletromagnéticas, todo o processo acaba ficando com uma acurácia um pouco maior do que o Elisa tradicional. Outra diferença importante é que o sistema que estamos usando é muito menos sensível a ruídos. Já notamos que é possível usar sangue bruto do paciente, ao invés de soro, e ter um resultado tão bom e limpo quando utilizando apenas o soro, que é a fração solúvel do sangue e o material usado no Elisa tradicional", afirmou o cientista. 

    Para a realização do teste, é necessário um volume muito baixo de sangue, que pode ser coletado com instrumento igual ao utilizado para o exame de glicose. A amostra é então incubada com antígenos virais mobilizados na superfície de nanopartículas magnéticas. 

    'Não seria difícil' usar para outras doenças

    Após cerca de dois minutos, são feitas etapas de lavagens e, em seguida, acrescenta-se um revelador, que é o responsável por alterar a cor do material caso haja reação positiva. Se o paciente tiver desenvolvido anticorpos contra o coronavírus, a amostra apresentará uma coloração indicando resultado positivo. Outro diferencial é que o ensaio fornece dados da quantidade de anticorpos, e não apenas da presença ou ausência, como é o caso do teste rápido tradicional. 

    Huergo diz que, no futuro, o modelo poderá ser replicado de maneira simples para "qualquer doença que tenha um antígeno que seja uma proteína". 

    "Um vírus é composto de várias partes, uma de lipídio, outra material genético e as proteínas. Para testar a COVID-19, o que a gente faz é pegar uma proteína do coronavírus e mobilizar nessa nanopartícula. A princípio, qualquer doença que tenha um patógeno que a gente consiga purificar a proteína e mobilizar nessa resina, seria possível investigar usando o mesmo sistema que a gente bolou para a COVID-19. Não seria difícil", garantiu o biólogo. 

    Em busca de parceiros

    A expectativa dos pesquisadores é de que o teste possa ser usado em postos de atendimento de saúde no Brasil. O modelo está em fase final de desenvolvimento e a UPFR está em busca de parceiros para produção em grande escala. O custo por amostra no laboratório é de apenas R$ 5, mas esse valor acabaria sendo maior caso a iniciativa privada decida investir no desenvolvimento do teste.  

    "A gente não paga taxa de importação, estou considerando que o meu salário está sendo pago pela universidade, a gente tem luz, materiais, equipamentos, manutenção, tudo coberto pelo governo. Quando for transferido para um parceiro comercial, que vai ter margem de lucro, vai ter que embutir todos esses custos no produto", avaliou Luciano Fernandes Huergo. 
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    Tags:
    pesquisa, ciência, biologia, teste, doença, pandemia, universidade, COVID-19, novo coronavírus
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