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    Segundo um conjunto de estudos realizado nos últimos anos, as geleiras têm gravado "impressões digitais" de eventos passados, e os efeitos da COVID-19 também serão visíveis no futuro.

    As geleiras registram a maioria dos eventos importantes da civilização humana, e um desses eventos pode ser a atual pandemia da COVID-19, afirma um estudo referenciado em comunicado no portal Ohio State News, mas ainda não publicado. Um estudo norte-americano anterior, focado no mesmo tema, foi publicado em 2018 no jornal Frontiers in Microbiology.

    À medida que se forma, o gelo glacial absorve gases atmosféricos, incluindo químicos, minerais, bactérias e vírus, bem como outros materiais orgânicos, como caules e folhas de plantas, diz Lonnie Thompson, investigadora da Universidade Estadual de Ohio, EUA. O núcleo de uma geleira é muito semelhante ao tronco de uma árvore com seus anéis.

    Amostras de gelo retiradas desses núcleos revelam mudanças ambientais, tanto naturais quanto induzidas pelo homem. Por exemplo, eles testemunham o início da Revolução Industrial no final do século XVIII, e apontam para a época em que os humanos começaram a emitir produtos químicos como sulfatos e nitratos para a atmosfera, ou a adicionar chumbo à gasolina.

    O gelo também testemunhou a Peste Negra, uma pandemia de meados do século XIII, que continua sendo a mais mortal da história da humanidade, afirma a cientista.

    Em algumas geleiras, o gelo que se formou durante os anos da peste contém menos chumbo que o formado durante os anos anteriores, provavelmente porque as atividades como mineração e fundição de metais caíram drasticamente durante esse tempo. Hoje está acontecendo algo semelhante, pois algumas atividades industriais pararam.

    Gelo, testemunha do coronavírus

    O estudo aponta que as áreas setentrionais geladas estão reunindo evidências físicas, químicas e biológicas do nosso tempo.

    "Estes registros ficarão preservados no gelo. Isso significa que, daqui a 100 ou 200 anos, este gelo vai mostrar tudo o que está na atmosfera agora, e isso vai contar às gerações futuras o que está acontecendo agora", acredita Thompson.

    A atual pandemia da COVID-19 está afetando a atmosfera da Terra. Os níveis de dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre caíram após a estagnação industrial na China, e em grande parte dos Estados Unidos. Ambos são poluentes que se formam após a queima de gás e petróleo. Também há menos emissões porque há menos pessoas viajando.

    Região de águas abertas na parte da frente da geleira Helheim, na Groenlândia, 15 de agosto de 2019
    © NASA . Josh Willis
    Região de águas abertas na parte da frente da geleira Helheim, na Groenlândia, 15 de agosto de 2019

    Esta diminuição nos níveis de dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre será observada nos níveis de nitratos e sulfatos dos núcleos de gelo que os futuros glaciologistas irão recuperar, disse a pesquisadora.

    "É claro, isso pressupõe que as geleiras continuarão existindo no futuro, obviamente", referiu Lonnie Thompson.

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    Tags:
    EUA, Universidade Estadual de Ohio
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