05:10 21 Janeiro 2020
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    Cientistas da Universidade Estatal de Psicologia e Pedagogia de Moscou (UEPPM) estudaram a relação entre o percurso de vida e o tipo de personalidade de uma pessoa e a possibilidade dessa pessoa desenvolver doenças cardiovasculares em idade avançada.

    A pesquisa, realizada graças à bolsa do Fundo Russo para Pesquisas Fundamentais N.º 18-013-00092A, poderá ajudar a criar estratégias terapêuticas otimizadas para o paciente e a aumentar o período ativo de sua vida. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Psikhologia i Psikhotekhnika (Psicologia e Psicotécnica).

    Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em muitos países, inclusive na Rússia. Como afirmam os cientistas, o estudo e controle dos fatores psicológicos que afetam a possibilidade de desenvolvimento e o percurso destas doenças pode reduzir a mortalidade e aumentar o período ativo da vida das pessoas.

    Hoje em dia, além das causas gerais, os especialistas distinguem fatores de surgimento de doenças cardiovasculares que dependem do perfil profissional da pessoa. Os cientistas da UEPPM decidiram estudar como as várias particularidades da personalidade do indivíduo afetam o desenvolvimento destas doenças na idade avançada.

    Na pesquisa foi usado um método integrado. Ele inclui um formulário com o percurso de vida, com enfoque especial na profissão, êxitos na carreira profissional, interesses e passatempos que a pessoa teve durante sua vida e no momento do estudo; a análise de documentos (fichas médicas); método de autoavaliação de Dembo-Rubinstein (na versão da UEPPM) e métodos de estatística matemática.

    Os passatempos preferidos foram divididos em grupos: intelectuais, criativos, esportivos, materiais (bricolagem, costura, etc.). As pessoas estudadas também podiam avaliar as seguintes qualidades da sua personalidade: grau de vida ativa, agressividade comunicabilidade, otimismo e cuidados prestados aos outros.

    Participaram da pesquisa 496 pessoas (110 homens e 386 mulheres) maiores de 55 anos, todas com doenças cardiovasculares. A pesquisa mostrou que nos aposentados que exerceram ou profissões técnicas e operárias (tipo "pessoa–equipamento") quase todos os tipos de atividade (comunicação, perseverança, dedicação à carreira profissional) aumentam o risco de doença; já os interesses relacionados a objetos (passatempos técnicos, bricolagem, horticultura, pequenas reparações, etc.) têm efeito positivo para a saúde.

    Já para os aposentados que tinham exercido profissões na área de serviços (tipo "pessoa–pessoa") os esportes e a atividade física têm efeito positivo, enquanto o otimismo e bricolagem não têm efeito nenhum.

    Nenhum passatempo afeta as perspectivas de desenvolver doença cardiovascular em aposentados que tinham exercido profissões que supõem trabalho com documentos (tipo "pessoa-símbolo"). A atividade profissional, êxitos no trabalho e o entorno de amigos e familiares é o que tem um efeito positivo para a saúde deles.

    "Em geral, o desenvolvimento e a gravidade de doenças cardiovasculares na idade de aposentadoria são facilitados pelos maus hábitos (consumo de álcool, tabaco, excesso de comida), pela agressividade (vista como uma característica da personalidade) e pelo trabalho na área 'pessoa-equipamento'; já o otimismo e passatempos materiais reduzem os riscos", conta Tatiana Berezina, professora do Departamento dos Fundamentos Científicos da Psicologia Extrema da UEPPM.

    Os especialistas sublinham que as particularidades ligadas ao sexo e à idade não afetam a relação entre as características pessoais dos pacientes e a gravidade da sua doença cardiovascular. Os fatores negativos e positivos não diferem geralmente entre homens e mulheres.

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    Tags:
    doenças cardiovasculares, doenças graves, doença, coração
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