16:23 19 Janeiro 2020
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    Pesquisa da Universidade Estatal de Psicologia e Pedagogia de Moscou (UEPPM) sobre impacto das redes sociais na automutilação ente os adolescente propõe a criação de conteúdos especiais para "transformar" as discussões sobre o assunto na Internet.

    A questão da automutilação entre adolescentes é bastante conhecida em todo o mundo. Adolescentes podem recorrer à prática em uma tentativa e retomar o controle sobre suas emoções. 

    A psiquiatria liga a automutilação à angústia, depressão, problemas de comportamento e transtornos da personalidade. Por outro lado, o sintoma pode se manifestar como um meio de expressar problemas psicológicos, de comunicação ou como um pedido de ajuda. Apesar de se diferenciar do suicídio, seu caráter repetitivo faz dele um fator de risco, que pode levar à morte prematura.

    A pesquisa da UEPPM abrangeu mais de 600 pessoas, alunos de escolas e universidades. Destes, 10-14% disseram que se cortaram uma vez, enquanto 3% confessaram fazer isso regularmente. De acordo com os dados, a maioria dos adolescentes que já praticaram a automutilação foram expostos a imagens relacionadas antes de cumprir 11 anos.

    Hoje em dia, a automutilação é um tema muito popular nas redes sociais, inclusive em grupos fechados. Os cientistas da UEPPM estudaram as particularidades deste tópico, observando o caráter e a linguagem empregada em discussões sobre o tema.

    "Os grupos de discussão sobre automutilação às vezes têm a tendência de normalizar o fenômeno e heroizá-lo, difundindo a ideia de exclusividade que ela confere e o quanto ela é endêmica. Essas tendências podem agravar os problemas emocionais e pessoais dos usuários, provocar e alimentar o interesse pela automutilação e outras formas do comportamento autodestrutivo", diz Natalia Polskaya, professora do departamento de Psicologia Clínica e Psicoterapia da UEPPM.

    Hashtag de alerta

    Algumas redes sociais oferecem a possibilidade de buscar tópicos e usuários através de hashtags, ou palavras-chave.

    Os pesquisadores notam que o sistema de hashtags relacionadas à automutilação utiliza palavras ambíguas, dificultando o controle. Hashtags  mais "diretas", por exemplo, #selfharm (autoflagelo, em português) são frequentemente banidas, por isso a palavra-chave pode ser modificada intencionalmente (por exemplo, #selfharmm ou #selfharmmm).

    Professora em aula de educação de redes sociais e internet, na Alemanha (foto de arquivo)
    © AP Photo / Martin Meissner
    Professora em aula de educação de redes sociais e internet, na Alemanha (foto de arquivo)

    Pesquisadores detectaram grupo de hashtags com sentido oculto (exemplo: #MySecretFamily, ou seja, "minha família secreta"). Outra tendência é dar nomes de pessoas à doenças ou transtornos relacionados com autolesão. Por exemplo: #Ana quer dizer anorexia, #Cat quer dizer corte, #Deb – depressão, #Sue – intenção ou pensamentos suicidas.

    "Em vez de pedir ajuda e apoio aos usuários com autolesão, o que acontece frequentemente é uma glamourização da autolesão como um estilo de vida especial. Além disso, visualizar imagens de autolesões pode desencadear autolesão", diz Natalia Polskaya.

    Estas hashtags permitem aos adolescentes manifestar sua identificação com à comunidade na sua página pessoal, sem que outras pessoas possam as decifrar. Os pesquisadores acreditam que esta ambivalência nas hashtags pode ser um fator perigoso e provocador.

    Como ajudar os adolescentes

    Os especialistas acreditam que o potencial positivo da comunicação na Internet pode ser usado para elaborar medidas de ajuda psicológica aos adolescentes que sofrem de comportamento autolesivo.

    "Os professionais na área da saúde mental enfrentam a tarefa global de criar um conteúdo alternativo – de apoio e ajuda, e isso prevê a criação de uma metodologia nova, de uma linguagem que possa se integrar em uma discussão online já existente sobre autolesão, transformando-a por dentro. Sem dúvidas, devem ser alternativas fortes e com importância pessoal, que possam ampliar o modo como os adolescentes compreendem as suas próprias necessidades e interesses. E essas alternativas devem ser mais significantes e encorajadoras do que o discurso de autodestruição", diz Polskaya.

    Para resolver esta tarefa, Polskaya acredita na necessidade de uma presença permanente nas comunidades online de especialistas que possam acompanhar a situação em regime real e aplicar essa metodologia.

    Os resultados do trabalho foram publicados na revista Konsultativnaya Psikhologia e Psikhoterapia (Psicologia Consultiva e Psicoterapia).

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    Tags:
    crianças, saúde, redes sociais
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