11:31 28 Março 2020
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    O Império de Aksum foi uma das civilizações mais influentes do mundo, porém continua sendo uma das menos conhecidas.

    Este império, localizado no nordeste do continente africano, se expandiu entre os séculos I a.C e VII d.C, ocupando vastos territórios a partir dos montes da atual região de Tigray até dominar grande parte do norte de Etiópia, algumas regiões fronteiriças com o Sudão e a maior parte da Eritreia, bem como algumas áreas da costa ocidental da península arábica.

    Os arqueólogos fizeram pesquisas durante anos nesta região e, mesmo assim, continuam fazendo revelações valiosas. Durante a última escavação, os pesquisadores conseguiram desenterrar uma cidade inteira, chamada Beta Samati, segundo um artigo publicado no jornal Antiquity.

    Arqueólogos no local da escavação na Etiópia
    Arqueólogos no local da escavação na Etiópia

    A cidade descoberta foi ocupada pela primeira vez por povos pré-aksumitas por volta do ano 750 a.C. Com a evolução da cidade, esta se transformou em um poderoso centro regional durante quase um milênio, abrangendo a ascensão do Império de Aksum e a sua conversão ao Cristianismo, antes de ser abandonada por volta do ano 650 d.C.

    "As escavações revelaram a existência de um complexo de prédios comerciais e residências particulares, além de uma das primeiras basílicas aksumitas, lugares importantes do culto cristão na antiga Etiópia", afirma Michael Harrower, professor da Universidade Johns Hopkins e autor principal do artigo.
    Um anel de ouro e cornalina, descoberto na basílica, mostrando  influências romanas
    Um anel de ouro e cornalina, descoberto na basílica, mostrando influências romanas

    Foram também encontrados vários artefatos dentro e em volta deste edifício em particular, sugerindo que a basílica poderia ter tido funções administrativas ou comerciais, para além das religiosas.

    Alguns destes objetos têm claras influências romanas e pagãs, ilustrando a diversidade cultural desta enigmática civilização.

    As escavações comprovam que a cidade, do período da civilização aksumita (entre 80 a.C e 825 d.C) foi ponto de encontro entre o subcontinente indiano e o Império Romano.

    Um pingente de pedra com uma cruz à esquerda e, à direita, o termo venerável na antiga escrita Ge’ez, que continua sendo a língua litúrgica da Igreja Ortodoxa Etíope
    Um pingente de pedra com uma cruz à esquerda e, à direita, o termo "venerável" na antiga escrita Ge’ez, que continua sendo a língua litúrgica da Igreja Ortodoxa Etíope

    "O Império de Aksum foi uma das civilizações antigas mais influentes do mundo, mas continua sendo uma das menos conhecidas", diz Harrower. "Os trabalhos na cidade de Beta Samati ajudam a preencher lacunas importantes na nossa compreensão das antigas civilizações pré-aksumitas e aksumitas", acrescenta arqueólogo.

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    Tags:
    artefatos, cristianismo, descoberta, Etiópia, Império Romano, antiguidade, arqueólogos
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