14:46 22 Novembro 2019
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    Representação artística de como pareceria uma galáxia maciça no estágio inicial da formação do Universo

    Astrônomos encontram 'yeti espacial' dos primórdios do Universo

    © Foto / James Josephides/Christina Williams/Ivo Labbe
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    Equipe multinacional descobre galáxia extremamente distante e antiga que pode trazer luz à história das mesmas.

    Os astrônomos descobriram acidentalmente rastros de uma enorme e muito antiga galáxia que surgiu em um estágio inicial da formação do Universo. Sabe-se há muito tempo que tais objetos deveriam existir, mas nunca puderam ser observados. Os resultados foram publicados na revista científica Astrophysical Journal.

    Cientistas dos Estados Unidos, Austrália, Países Baixos, Suíça e Dinamarca repararam em um ponto fraco de luz, antes desconhecido, enquanto observavam o espaço usando o sistema de radiotelescópio ALMA, localizado no deserto chileno de Atacama. Este complexo permite fixar a radiação eletromagnética com comprimentos de onda milimétrico e submilimétrico. Estas ondas são usadas para estudar a formação e evolução das galáxias.

    O objeto, na forma de um ponto cintilante borrado, foi encontrado em um comprimento de onda de 3 mm, não sendo visível na gama de ondas longas. Isto sugere que a galáxia descoberta está a uma grande distância e escondida dos observadores por nuvens de poeira.

    "Isto é muito misterioso, porque esta luz não estava ligada a nenhuma galáxia conhecida", cita esta quarta-feira (23) o serviço de imprensa da Universidade do Arizona as palavras da autora principal do artigo e a primeira que viu a misteriosa galáxia, Christina C. Williams, do observatório Stuart.

    Entendendo a formação das galáxias

    Os cientistas estimam que o sinal deste objeto misterioso levou 12,5 bilhões de anos para chegar à Terra. A radiação vista pelos cientistas é provavelmente devida ao brilho de partículas de poeira aquecidas por estrelas nas profundezas de uma galáxia jovem, uma das primeiras a aparecer no Universo primitivo.

    Os cientistas acreditam que registraram o momento em que a galáxia já atingiu um tamanho enorme, e as estrelas nessa galáxia não eram menos que na Via Láctea, mas as novas estrelas se formavam cem vezes mais rápido do que está acontecendo em nossa galáxia.

    A descoberta ajudará a entender quais os processos que ocorreram em galáxias jovens, e talvez a responder à antiga questão da astronomia sobre como, nos estágios iniciais do desenvolvimento do Universo, apareceram nela aglomerados estelares gigantescos.

    O descobrimento é importante por que, embora antes o Hubble tenha registrado galáxias antigas menores, elas não estavam crescendo rápido o suficiente. Outras galáxias monstruosas também foram relatadas anteriormente, mas esses avistamentos foram muito raros para obter uma explicação satisfatória do que estava ocorrendo, relatou nesta quarta-feira (23) o serviço de imprensa da Universidade do Arizona.
    "Nossa galáxia monstruosa oculta tem precisamente os ingredientes certos para ser esse elo perdido", diz Christina Williams.

    Permanece a questão sobre quantas mais destas galáxias ainda existem. Até agora se realizaram observações apenas em uma pequena parte do céu estrelado, aproximadamente um centésimo da área do disco lunar. O fato de um único objeto espacial de tipo desconhecido ter sido descoberto em uma área tão pequena indica ou uma incrível sorte dos cientistas, ou o fato de que existem muitos desses objetos, mas eles, tal como o yeti, ainda estão escondidos dos cientistas.

    Os pesquisadores esperam o lançamento planejado do Telescópio Espacial James Webb, em março de 2021, para estudar esses objetos com mais detalhes.

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    Tags:
    galáxia, ciência, Universo
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