07:19 12 Novembro 2019
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    Soldados dos EUA durante abertura dos exercícios Rapid Trident-2018

    Pentágono quer editar o genoma de seus soldados para 'protegê-los dos pés à cabeça'

    © Sputnik / Stringer
    Ciência e tecnologia
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    O Pentágono estuda a possibilidade de pesquisar a edição do genoma para proteger as tropas contra ataques químicos e biológicos, anunciou um alto funcionário da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa.

    Nesta segunda-feira (23), o diretor da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA, na sigla em inglês), Steven Walker, revelou que as Forças Armadas norte-americanas estão próximas de se tornar ainda mais intrusivas, caso pesquisadores consigam editar o genoma de seus soldados com sucesso.

    "Por que a DARPA está fazendo isso? [Para] proteger um soldado no campo de batalha contra armas químicas e bacteriológicas controlando o seu genoma, garantindo que o genoma produza proteínas que automaticamente irão protegê-lo dos pés à cabeça", explicou Walker, falando nesta segunda-feira (23) em um painel promovido pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

    O diretor reconheceu que a ideia pode soar um pouco heterodoxa, mas insistiu que os esforços de edição genética promovidos pela agência seriam, primordialmente, para proteger as tropas, e não para aprimorá-las.

    "Essas tecnologias são de uso dual. Você pode usá-las para o bem ou para o mal. A DARPA está empenhada em usá-las para o bem, para proteger os nossos combatentes", alegou Walker, de acordo com o informe do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

    Soldada americana bate continência durante celebração do Dia dos Veteranos.
    © AP Photo / Anja Niedringhaus
    Soldada americana bate continência durante celebração do Dia dos Veteranos

    Se as pesquisas forem bem-sucedidas, a DARPA poderá ir mais longe e fornecer às Forças Armadas uma alternativa ao uso de vacinas.

    "Será impossível estocar vacina e antivírus suficiente para proteger uma população inteira no futuro [...] Até agora, tudo o que temos é pesquisa, não temos essa capacidade ainda", reiterou. "Mas é por essas razões que queremos, se possível, transformar o nosso corpo em uma fábrica de anticorpos."

    Para que a técnica seja útil, será necessário desenvolver ainda a capacidade de remover os genes editados, a chamada "remediação genética". O programa "Genes Seguros" da DARPA terá o objetivo ambicioso de reverter os efeitos da já conhecida técnica de Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas (CRISPR, na sigla em inglês).

    Imagens dos embriões modificados pela técnica CRISPR, na China, em outubro de 2018
    © AP Photo / Mark Schiefelbein
    Imagens dos embriões modificados pela técnica CRISPR, na China, em outubro de 2018

    Essa técnica foi motivo de controvérsia na China recentemente, após um cientista alterar dois embriões produzidos com o esperma de um dador HIV-positivo e implantá-los em uma mãe HIV-negativa, com o intuito de gerar crianças imunes ao vírus.

    Conforme apontou Walker, a tecnologia é de uso dual. Por exemplo, no início deste mês, a Universidade de Pequim publicou um estudo na Revista de Medicina de New England, na qual revelou ter tratado com sucesso um paciente sofrendo de leucemia linfoblástica aguda utilizando a técnica CRISPR.

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