03:47 25 Setembro 2018
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    Crânio de um animal (imagem referencial)

    Mudança do clima pode 'despertar' antraz dos cemitérios do Ártico e Sibéria

    CC0 / Pixabay
    Ciência e tecnologia
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    Os esporos deste agente nocivo permanecem ativos entre 250 e 1.300 anos depois da morte do corpo infetado.

    Os especialistas do Centro Antistikhia advertiram para o perigo do descongelamento de restos de animais portadores de antraz no extremo norte da Rússia. Esse gado infectado já causou a morte de uma criança há dois anos no distrito autônomo de Yamálo-Nenetsky.

    Prevê-se "o descongelamento contínuo do permafrost [camada de solo permanente congelada das regiões muito frias], desde a região de Arkhangelsk até a república de Yakútia, Kolyma e o sul da Sibéria", disse o chefe do programa climático do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês) da Rússia, Aleksei Kokorin. O cientista opinou que o antraz não pode ser completamente erradicado.

    O especialista em antraz Leonid Marinin, por sua vez, apresentou dados alarmantes. 

    "Os esporos do agente patogénico do antraz vivem durante muito tempo, é sua peculiaridade; mantêm atividade fora do organismo vivo durante 250 anos. Existe a possibilidade de poderem existir por 1.300 anos. Assim que surgirem as condições certas, começam a atuar", explicou ele.

    Os sintomas de antraz são o aparecimento na pele de bolhas vermelhas, que posteriormente se tornam negras. Esses sintomas surgem cerca de 12 dias após a infeção. Mas o mais perigoso não é o contato com pessoas infetadas, mas com os animais. A carne contaminada pode ser vendida e consumida sem se conhecer o fato de contaminação. 

    Os especialistas propõem elaborar um mapa detalhado de locais onde existe gado enterrado, bem como de cemitérios e túmulos humanos para examiná-los detalhadamente. Isso poderia ajudar a prevenir focos de dispersão dos esporos, bem como a existência de rios perto desses focos.

    Embora nos últimos 50 anos na Rússia não tenham sido registradas infeções de antraz em grande escala, às vezes se observam casos de infeção esporádica: em 2006 em Penza e Tambov, em 2010 em Omsk, em 2014 em Bascortostão. Todos os casos tiveram como focos cemitérios de gado.

    Tags:
    gado, doença, antraz, mudança climática, Rússia
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