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    COVID-19 no Brasil em meados de maio (48)
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    Em entrevista à Sputnik Brasil, o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto aponta as falhas do governo federal na aquisição de vacinas contra a COVID-19, mas acredita que, em um cenário otimista, seja possível concluir a imunização antes do fim do ano.

    Ao longo das últimas semanas, o Brasil despencou no ranking mundial de velocidade de vacinação.

    Devido ao atraso na aplicação da segunda dose da CoronaVac e por falta de insumos para produzir imunizantes, o país caiu da quarta para a oitava posição entre os que mais aplicam doses de vacina contra a COVID-19 por dia.

    A média diária de vacinação, que era de 995 mil em 29 de abril, passou para 429 mil na última quarta-feira (12), segundo dados do Our World in Data, ligado à Universidade de Oxford, conforme noticiado pelo portal G1.

    "Não tem muito milagre. Sem vacina, perdemos o ritmo de vacinação", disse, em entrevista à Sputnik Brasil, o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e fundador e primeiro diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

    Segundo o especialista, se o Brasil tivesse o volume necessário de doses, poderia vacinar até dois milhões de pessoas por dia, dada a capacidade do Plano Nacional de Imunização (PNI). A quantidade é mais que quatro vezes superior ao ritmo atual de vacinação do país.

    "Infelizmente, é simples assim. Nós não compramos vacina. Estamos vivendo das vacinas que o [Instituto] Butantan e a Fiocruz [Fundação Oswaldo Cruz] estão produzindo. E estão produzindo no ritmo em que recebem os insumos farmacêuticos da China e conseguem fazer o envase desse insumo", afirmou o médico sanitarista.
    Militares desembarcam lote da vacina Coronavac no Distrito Federal
    © Folhapress / Pedro Ladeira
    Militares desembarcam lote da vacina Coronavac no Distrito Federal

    Nesta semana, a Fiocruz anunciou que começará a produzir o IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) no Brasil a partir deste sábado (15).

    O primeiro lote de imunizantes nacionais, porém, só ficará pronto daqui a aproximadamente três meses.

    Segundo Vecina, a Fiocruz conseguirá produzir, em média, 15 milhões de doses de vacina por mês até o início do ano que vem. A partir de fevereiro de 2022, o instituto terá a capacidade de dobrar a quantidade de doses na fábrica.

    Ele explica que, durante e depois da produção, a fábrica será inspecionada por técnicos da Anvisa, que precisarão validar as condições de boas práticas e de qualidade do produto.

    ​Já o Instituto Butantan, que entregou 1,1 milhão de doses da CoronaVac ao Ministério da Saúde nesta sexta-feira (14), suspendeu completamente a produção da vacina por falta de matéria-prima.

    O instituto depende agora da entrega do IFA chinês para poder atingir a produção de 100 milhões de doses, conforme se comprometeu.

    "O problema é que, por conta das questões diplomáticas, com declarações estapafúrdias do presidente da República, a China está atrasando a chegada do IFA", ressaltou o fundador e ex-diretor da Anvisa.

    Quantas doses o Brasil terá e quando concluirá a vacinação?

    Gonzalo Vecina destaca que a CPI da Covid ajudou a esclarecer por que o ritmo de vacinação do país não engatou.

    Para o médico sanitarista, o principal motivo foi o fato de o governo federal não ter comprado as doses da Pfizer, oferecidas a partir agosto de 2020.

    Em seu depoimento na quinta-feira (13), o gerente-geral da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo, relatou que foram apresentadas ao governo brasileiro três propostas naquele mês. Todas ficaram sem respostas.

    CPI da Covid no Senado recebe em 12 de maio o presidente da Pfizer América Latina e ex-presidente da Pfizer Brasil, Carlos Murillo, em Brasília
    © Folhapress / Pedro Ladeira
    CPI da Covid no Senado recebe em 12 de maio o presidente da Pfizer América Latina e ex-presidente da Pfizer Brasil, Carlos Murillo, em Brasília

    Segundo ele, a primeira oferta, feita em 14 de agosto, previa o fornecimento de 30 milhões de doses, sendo que os primeiros lotes começariam a ser entregues no final de 2020.

    O executivo detalhou que, só no ano passado, foram cinco propostas - nenhuma acatada - de venda de 30 ou 70 milhões de doses ao Brasil. Já em fevereiro de 2021, houve mais uma tentativa, dessa vez de 100 milhões de doses.

    Porém, o acordo entre o governo brasileiro e a Pfizer só foi consolidado em 19 de março. A previsão inicial de entrega é de 100 milhões de vacinas.

    Na última terça-feira (11), o Ministério da Saúde anunciou a aquisição de mais 100 milhões de doses.

    "Ficou comprovado que desde agosto está sendo oferecida a compra de vacina e o governo federal tem se recusado a admitir. Finalmente, efetuaram a compra. Mas essas doses só vão chegar no segundo semestre e mais para o fim do ano", frisou Vecina.
    Frascos com etiquetas de AstraZeneca, Pfizer/BioNTech, Johnson & Johnson e Sputnik V, vacinas contra a doença do novo coronavírus (COVID-19), 2 de maio de 2021
    © REUTERS / Dado Ruvic
    Frascos com etiquetas de AstraZeneca, Pfizer/BioNTech, Johnson & Johnson e Sputnik V, vacinas contra a doença do novo coronavírus (COVID-19), 2 de maio de 2021

    Além das doses da Pfizer, do Butantan e da Fiocruz, o governo federal também aguarda a chegada de 38 milhões de vacinas contratadas junto à Janssen e mais 40 milhões que virão por meio do consórcio COVAX Facility.

    "Esse número fecha com sobras as 320 milhões de doses necessárias para vacinar 160 milhões de brasileiros", pontuou o especialista à Sputnik Brasil. Por enquanto, o país vacinará apenas pessoas com 18 anos ou mais.

    Segundo Vecina, em um cenário otimista, será possível concluir a vacinação "por volta de novembro".

    "E aí, sobrando vacina, já poderemos pensar na utilização da próxima fase, que é vacinar os jovens e as crianças, que são 60 milhões de pessoas", afirmou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Fiocruz, Instituto Butantan, imunização, Vacina CoronaVac, vacinação, vacina, governo federal, Brasil, pandemia, novo coronavírus, COVID-19
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