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    COVID-19 no Brasil em meados de maio (48)
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    Projeção de analistas do banco suíço UBS revelou que, se mantido o ritmo de vacinação contra a COVID-19, o Brasil pode ter a reabertura de sua economia em outubro. Para médico ouvido pela Sputnik Brasil, a estimativa do banco é bastante plausível.

    No Brasil, há dois assuntos que dominam as discussões nas ruas: vacinação e a volta à normalidade. Enquanto a campanha nacional de imunização contra a COVID-19 é executada pelo Ministério da Saúde, cresce a expectativa no país com relação à abertura da economia.

    O Brasil espera ansioso pela sua vez, assistindo a países como os EUA, a Rússia, a Espanha e o Reino Unido celebrarem as ruas lotadas e a reabertura de seus comércios locais. Para o banco da Suíça UBS, o Brasil está próximo de conseguir retomar suas atividades.

    O banco estima que até outubro "o Brasil pode atingir algum tipo de normalidade". A expectativa, segundo o relatório, é que o país consiga reduzir drasticamente as infecções de COVID-19 uma vez que a população de 30 anos ou mais esteja imunizada. Para debater este assunto, a Sputnik Brasil entrevistou o médico Sylvio Provenzano, ex-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro.

    Idosa é vacina contra a COVID-19 em São Paulo.
    © Foto / Divulgação/ Governo de São Paulo
    Idosa é vacina contra a COVID-19 em São Paulo.

    Segundo Provenzano, "a gente só vem recebendo más notícias" desde que a COVID-19 surgiu. "Eu vejo com muita satisfação essa previsão do banco UBS. Eu entendo que, como analistas financeiros, eles estão cobertos de razão", afirmou.

    O que diz a UBS?

    Para os analistas financeiros da instituição suíça, os vacinados até o mês de outubro no Brasil compreenderão uma fatia menor do que os 70% ou mais que especialistas avaliam como ideal para atingir algum tipo de "imunidade de rebanho".

    Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, posa para foto com o Zé Gotinha, mascote das campanhas de vacinação brasileiras, em Campinas, 29 de abril de 2021
    © REUTERS / Amanda Perobelli
    Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, posa para foto com o Zé Gotinha, mascote das campanhas de vacinação brasileiras, em Campinas, 29 de abril de 2021
    Porém, eles calculam que pode ser possível chegar ao que classificam como "imunidade de rebanho efetiva" quando o Brasil tiver vacinado até o grupo dos 30 anos ou mais, o que corresponde a cerca de 56% da população.

    Para o médico, a explicação dos analistas é consistente. Ele explicou que a pirâmide demográfica do Brasil, "apesar de ter modificado seu formato nos últimos 30 anos", apresentando um aumento na expectativa de vida, "e também da população com 25 anos", isso colocou a população economicamente ativa em um hiato no Plano Nacional de Imunização (PNI).

    Para ele, a previsão de que esta população esteja imunizada até outubro não é otimismo do mercado financeiro, e ele crê em uma volta das atividades econômicas até o final do ano. Ele disse também que haverá crescimento econômico, como preveem o FMI e o BC brasileiro, além de redução do desemprego.

    Agente da Saúde administra vacina na sede do bloco carnavalesco Cacique de Ramos, Rio de Janeiro, 8 de abril de 2021
    © REUTERS / Ricardo Moraes
    Agente da Saúde administra vacina na sede do bloco carnavalesco Cacique de Ramos, Rio de Janeiro, 8 de abril de 2021

    Imunidade de rebanho antes da hora?

    O médico Sylvio Provenzano explicou que especialistas em epidemiologia "consideram que imunidade de rebanho é quando temos pelo menos 70% da população imunizada. Esse numero não será atingido em outubro, talvez em fevereiro do ano que vem".

    Em seguida, ele avaliou que "o que nos falta são os insumos". Provenzano ainda ressaltou o empenho do governo federal nas negociações de vacinas. "Nosso PNI é um dos mais eficazes do mundo", elogiou.

    Até o momento, o Brasil vacinou com ao menos uma dose 17% da população, e pouco mais de 8,5% também com a segunda dose. Estão neste grupo sobretudo idosos acima de 70 anos e profissionais de saúde. Foram 54 milhões de doses aplicadas, segundo apuração do consórcio dos veículos de imprensa junto aos estados até a segunda-feira (11).

    Professional de saúde prepara uma dose da vacina da AstraZeneca contra a COVID-19 no Palácio do Catete, Rio de Janeiro, Brasil, 23 de abril de 2021
    © REUTERS / Pilar Olivares
    Professional de saúde prepara uma dose da vacina da AstraZeneca contra a COVID-19 no Palácio do Catete, Rio de Janeiro, Brasil, 23 de abril de 2021

    O médico Sylvio Provenzano avaliou este cenário, e revelou preocupação com as novas variantes do coronavírus.

    "Estamos longe na normalização das atividades econômicas. A COVID-19 é altamente contagiosa, inclusive as novas variantes. É um vírus com uma camada externa de RNA, então muitas de suas mutações são variações, portanto são diferentes umas das outras. Se não houver imunização desta parcela economicamente ativa, não há retomada econômica", concluiu.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    COVID-19 no Brasil em meados de maio (48)

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    Tags:
    economia, FMI, Bolsonaro, médico, imunização, COVID-19, Vacina CoronaVac, vacinação, vacina
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