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    COVID-19 no Brasil em meados de janeiro de 2021 (97)
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    Mesmo após a vacinação contra a COVID-19 ter sido iniciada oficialmente no último domingo (17), o Brasil ainda demorará alguns meses para ver o número de infectados diminuir, segundo um epidemiologista ouvido pela Sputnik Brasil.

    O secretário de Saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, disse nesta segunda-feira (18) que a vacinação só terá impacto nos casos do novo coronavírus em seis meses.

    O epidemiologista Guilherme Werneck, professor do Instituto de Medicina Social da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), disse que a previsão de Gorinchteyn tem "lógica e é baseada em evidências".

    Segundo Werneck, um dos principais fatores para a previsão do secretário se deve à necessidade de se tomar duas doses da vacina.

    "A partir da primeira dose ainda é preciso aguardar uma segunda dose, e ainda é preciso aguardar um pouco de tempo para que o corpo e organismo respondam à vacina para gerar as defesas contra infecção", disse.

    A primeira pessoa a ser imunizada no Brasil foi a enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, que trabalha na UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

    ​De acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Saúde no domingo (17), os primeiros vacinados serão trabalhadores da saúde, população indígena em seus territórios, pessoas com deficiência institucionalizadas e pessoas de 60 anos ou mais institucionalizadas.

    Para Guilherme Werneck, outro fator que contribui para que a imunização comece a fazer efeito somente daqui a alguns meses é a necessidade de que uma parcela maior da população, além desse primeiro grupo, comece a ser vacinada.

    "É preciso aguardar que se consiga vacinar uma quantidade grande de indivíduos para que você consiga ter algum tipo de impacto não só na ocorrência de casos graves, mas também na transmissão da doença", explicou.

    'Vacinas aprovadas no Brasil têm efeito clínico'

    Neste domingo (17), a vacina CoronaVac, fabricada pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório Sinovac, e a vacina de Oxford/AstraZeneca, fabricada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tiveram o registro para uso emergencial aprovado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    Para Werneck, as vacinas aprovadas foram fabricadas para ajudar a aliviar o sistema de saúde ao evitar que a COVID-19 se desenvolva de forma grave.

    "Essas vacinas que estão sendo aprovadas no Brasil são vacinas que têm um efeito principalmente clínico, elas evitam a manifestação clínica mais grave da doença. Elas têm um impacto na redução da infecção, mas esse impacto não é tão grande. O maior valor dessas vacinas é evitar justamente que formas graves aconteçam", comentou.

    Mônica Calazans, enfermeira de 54 anos do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, é a primeira vacinada contra a COVID-19 no Brasil
    Mônica Calazans, enfermeira de 54 anos do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, é a primeira vacinada contra a COVID-19 no Brasil

    Daí a necessidade, segundo Werneck, de segmentos da população "mais vulneráveis" terem atendimento prioritário.

    "É uma vacina que pode reduzir as formas graves e evitar que indivíduos mais vulneráveis venham a óbito, esse é um aspecto importante porque a vacina tem um efeito principalmente clínico", disse.

    Segundo o Vacinômetro do governo de São Paulo, até esta terça-feira (20), 8.470 pessoas já receberam a primeira dose da vacina contra a COVID-19 no estado.

    "Eu entendo que nós ainda precisamos de tempo para conseguir alcançar uma parcela grande da população a ser vacinada e isso não vai ser obtido imediatamente. A ideia de que a gente precisará de alguns meses para que o impacto seja percebido me parece bastante razoável", afirmou o epidemiologista.

    'Perfil de segurança das vacinas é excelente'

    Guilherme Werneck explicou que as duas vacinas aprovadas pela Anvisa "são produzidas em plataformas muito conhecidas".

    "A CoronaVac é produzida com vírus inativado e a vacina de Oxford/AstraZeneca é produzida através de um vetor. São dois processos muito conhecidos, são duas vacinas com perfil de segurança excelente, penso que essa não deve ser uma preocupação das pessoas", declarou.

    Werneck disse ainda que não há motivo para os brasileiros terem medo de se vacinar.

    "Vacinar é um ato de amor, um ato pessoal e um ato de cuidado dos seus familiares e da comunidade", completou.

    O Brasil registrou 1.183 novas mortes pela COVID-19 e 63.504 novos casos da doença nesta terça-feira (19). Com isso, o país chegou a 211.511 óbitos e a 8.575.742 de pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    COVID-19 no Brasil em meados de janeiro de 2021 (97)

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    COVID-19, Brasil, vacina, vacinação, Vacina CoronaVac, imunidade, imunização, pandemia, morte, mortes, casos confirmados
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