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    Coronavírus no Brasil no início de janeiro de 2021 (56)
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    Na avaliação do médico Ricardo Schnekenberg, pesquisador da Universidade de Oxford e do Imperial College, no Reino Unido, o Brasil precisa entrar em "lockdown" nacional.

    Em uma entrevista ao jornal O Globo neste sábado (9), Ricardo Schnekenberg disse que a abordagem regional da pandemia tem problemas práticos, e não basta que estados apliquem restrições. Para ele, o lockdown é uma medida ruim, "que ninguém quer tomar, mas, diante da situação atual, é a única possível".

    O pesquisador aponta que, após bater 200 mil mortes nesta semana, "outras medidas não gerarão efeito suficiente no tempo que temos até a vacina ser implementada". 

    "Não estamos na mesma situação de março, em que se falava em lockdown e não se tinha perspectiva de quanto tempo iria demorar. Agora [com as vacinas] temos um horizonte muito mais próximo. É uma medida de curto prazo, que não faz o vírus desaparecer, mas reduz o número de casos para que outras sejam implementadas e tenham efeito a longo prazo", explicou Schnekenberg.
    Manifestantes protestam, em terminal rodoviário de Brasília, contra demora para início da vacinação contra a COVID-19 no Brasil, em 23 de dezembro de 2020
    © AP Photo / Eraldo Peres
    Manifestantes protestam, em terminal rodoviário de Brasília, contra demora para início da vacinação contra a COVID-19 no Brasil, em 23 de dezembro de 2020

    Segundo ele, a exemplo do Reino Unido, o governo do Brasil deveria implementar o confinamento com organização a nível nacional.

    "Na situação em que o Brasil está, com transmissão comunitária em graus tão elevados, outras medidas de controle não são efetivas", afirmou. O cientista acredita que autoridades regionais não têm a capacidade necessária de fiscalização.

    "O poder público estadual e municipal não têm capacidade de fiscalização suficiente e não parece que a população realmente esteja aderindo de forma significativa", afirmou.

    Ao falar sobre a possível volta de um lockdown no Brasil, o pesquisador enfatizou a importância do auxílio emergencial durante esse período. "Não tem como esperar que as pessoas percam o ganho e fiquem em casa sem ter nenhum suporte. Em outros países isso sempre vem acompanhado de pacotes de suporte financeiro, empréstimos a juros baixos e diversas medidas", afirmou.

    Movimento em frente a agência da Caixa Econômica Federal na cidade de Brasília, na manhã desta segunda-feira (14). A Caixa realiza o pagamento do auxílio emergencial e o saque emergência do  FGTS. Benefícios tem o intuito de minimizar o impacto causado pela pandemia do novo coronavírus.
    © Folhapress / Mateus Bonomi
    Movimento em frente a agência da Caixa Econômica Federal na cidade de Brasília, na manhã desta segunda-feira (14). A Caixa realiza o pagamento do auxílio emergencial e o saque emergência do FGTS. Benefícios tem o intuito de minimizar o impacto causado pela pandemia do novo coronavírus.
    O pesquisador acredita que o confinamento deve ser "intenso", com o fechamento de todas as atividades não essenciais.

    "Acredito que um lockdown extremamente intenso seja necessário, mantendo somente atividades essenciais e estabelecendo fiscalização forte para que as pessoas respeitem as regras. Cada domicílio deve conviver dentro de sua bolha familiar até o final do lockdown, com as únicas saídas diárias permitidas para compra de itens essenciais, consultas médicas e exercício físico ao ar livre respeitando o distanciamento social", concluiu o pesquisador.

    Críticas ao Enem

    Ao ser confrontado com a informação sobre a data do Enem no Brasil em meio ao aumento de casos da COVID-19, Ricardo Schnekenberg falou em absurdo e situação imoral.

    "Esse tipo de conduta é absurdo do ponto de vista sanitário. Nenhum país faz um evento como esse — que podemos chamar de evento de superdisseminação — em um momento em que está tendo 1.200 mortes por dia. O Reino Unido ia ter algo parecido, uma prova que os adolescentes fazem no final do ensino médio e conta para a entrada na faculdade, e foi cancelada em 2020 e em 2021 inteiro".

    Ainda com relação ao exame, o pesquisador de Oxford lançou um questionamento: "qual pessoa vai deixar de realizar uma prova tão importante assim? Vai acordar com tosse seca e cansada e não vai fazer o exame? Isso é absurdo. Fora o risco dos assintomáticos. E tem o lado das famílias, que podem ter idosos ou outros grupos de risco que estejam seguindo todas regras para se proteger: vão dizer para seu filho ou neto que tem que perder um ano porque não vai fazer a prova, ou vão aceitar o risco? Estamos colocando as famílias em uma situação imoral".

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    Coronavírus no Brasil no início de janeiro de 2021 (56)

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    Tags:
    COVID-19, Universidade de Oxford, Enem, ENEM, lockdown, Brasil
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