10:18 28 Janeiro 2021
Ouvir Rádio
    Brasil
    URL curta
    COVID-19 e Brasil em meados de dezembro (59)
    233
    Nos siga no

    "As pessoas querem comemorar em família, em um ambiente discreto, a passagem do ano", diz Paulo Michel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira do Rio de Janeiro (ABIH-RJ), em entrevista para Sputnik Brasil.

    O Rio de Janeiro está otimista e vive um clima de grande expectativa para o Réveillon deste ano.

    Segundo uma pesquisa divulgada pelo sindicato dos Meios de Hospedagens do Município do Rio de Janeiro, a Hotéis Rio, cerca de 58% dos quartos de hotéis da cidade já estão reservados para a passagem de ano. 

    Para entendermos melhor a situação do setor hoteleiro durante o Réveillon no Rio de Janeiro, a Sputnik Brasil conversou com Paulo Michel, presidente da ABIH-RJ. Segundo ele, "58% de ocupação é um grande número, e nos anima muito. Mostra que a nossa retomada está sendo feita em grande estilo".

    Estátua do Cristo Redentor no topo do morro do Corcovado, no Rio de Janeiro
    © Sputnik / Sergei Pyatakov
    Estátua do Cristo Redentor no topo do morro do Corcovado, no Rio de Janeiro
    O atual número de ocupação é dez pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período do ano passado (68%), quando o Rio de Janeiro teve uma passagem de ano histórica, batendo o recorde de pessoas (2,9 milhões) na praia de Copacabana.

    Apesar da queda, o índice é considerado positivo dentro do cenário de pandemia do novo coronavírus, que resultou, inclusive, no cancelamento das festas da virada nas praias da cidade.

    Paulo Michel, porém, não acredita que isso será um problema. Para ele, "a cidade tem atrativos naturais exuberantes. O turista que vier vai aproveitar a cidade maravilhosa. Os próprios hotéis estão providenciando para que as famílias possam, entre elas, comemorar a passagem de ano da melhor forma possível, e com segurança", frisou.

    No momento, os bairros mais procurados pelos turistas são o centro da cidade (67%), Copacabana e Leme (63%). Em seguida, aparecem Flamengo (61%), Recreio dos Bandeirantes (59%), Barra da Tijuca (52%) e Ipanema e Leblon (51%).

    Cariocas enchem a praia de Ipanema enquanto pandemia do coronavírus se espalha no Rio de Janeiro, 6 de setembro de 2020
    © REUTERS . PILAR OLIVARES
    Cariocas enchem a praia de Ipanema enquanto pandemia do coronavírus se espalha no Rio de Janeiro, 6 de setembro de 2020
    Na avaliação do presidente da ABIH-RJ, "existe uma grande demanda reprimida. As pessoas estão reclusas a muito tempo. E a viagem traz essa experiência necessária ao ser humano, que é conhecer novas pessoas, novos lugares. E nisso o Rio de Janeiro está muito bem localizado, muito perto de seus principais polos emissores, São Paulo e Minas Gerais".

    O empresário sustenta que o Rio de Janeiro possuiu um potencial único no Brasil, pois "oferece experiências de natureza exuberantes". Para ele, essa demanda reprimida, de pessoas querendo viajar, nos leva a crer que o feriadão do Réveillon seja aproveitado.

    "As pessoas querem respirar e comemorar em família, em um ambiente discreto, a passagem do ano", enfatizou.

    Questionado sobre uma insegurança geral com relação à preparação dos hotéis e albergues da cidade, Paulo Michel afirma que esses estabelecimentos seguem rígidos protocolos de prevenção da COVID-19.

    Aglomerações na praia de Ipanema no Rio na época de calor extremo na região, 2 de outubro de 2020.
    © REUTERS . Ricardo Moraes
    Aglomerações na praia de Ipanema no Rio na época de calor extremo na região, 2 de outubro de 2020
    Ele destacou o papel de empresários do setor hoteleiro que buscaram oferecer um ambiente festivo e seguro aos turistas que buscam locais para confraternizar em pequenos grupos familiares ou de amigos.

    "Foi um ano difícil, mas de grandes aprendizados. A hotelaria se reinventou, se recriou. Foi preciso treinar nossos quadros de funcionários, criar novos serviços, implantar protocolos de segurança para que hóspedes voltassem a visitar a cidade. Fizemos a cartilha com as principais regras da hotelaria. Trabalhamos pela segurança e pelas medidas de higienização", disse o presidente da ABIH-RJ.

    Paulo Michel não nega, contudo, que o ano foi muito difícil para economia nacional, "e principalmente para nós da hotelaria".

    Ele lembra que "tivemos um Carnaval maravilhoso. E aí, algumas semanas depois, o mundo fechou, o mundo parou. E a hotelaria sofreu muito. Nós tivemos mais de 80% dos hotéis da cidade fechados por vários meses".

    Turismo em 2021

    Diante da iminente chegada das vacinas contra a COVID-19 no Brasil, a grande questão sobre o turismo é se o setor conseguirá se recuperar no ano que vem. Em setembro, a Fecomercio-SP avaliou que o turismo brasileiro deixou de faturar R$ 41,6 bilhões desde o início da pandemia de coronavírus, em março deste ano.

    Para Paulo Michel, no entanto, "tudo ainda é muito incerto. Enquanto não tivermos vacina, a retomada será mais gradual e lenta".

    O empresário aposta em uma vacinação geral para poder avaliar melhor o cenário. "Eu tenho certeza de que assim que tivermos uma vacina, teremos um 2021 melhor do que estamos esperando no momento", frisou.

    Banhistas lotam praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, durante a pandemia de COVID-19, 6 de setembro de 2020
    © REUTERS . PILAR OLIVARES
    Banhistas lotam praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, durante a pandemia de COVID-19, 6 de setembro de 2020

    A chegada do novo ministro

    Confirmado ontem (10) como novo ministro do Turismo, Gilson Machado se apresentou e fez algumas declarações consideradas polêmicas. Ele defendeu que não são necessários novos lockdowns no país, porque, segundo ele, o setor de turismo "não aguenta".

    Questionado sobre a novidade na pasta, o presidente da ABIH-RJ fez votos de confiança e boa sorte ao ministro, e afirmou que "Ministério do Turismo tem uma responsabilidade e um desafio muito grande no Brasil".

    Em Brasília, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o presidente da Embratur, Gilson Machado, se cumprimentam durante Cerimônia de Lançamento da Retomada do Turismo, no Palácio do Planalto, em 10 de novembro de 2020
    © Folhapress / Futura Press / Frederico Brasil
    Em Brasília, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o presidente da Embratur, Gilson Machado, se cumprimentam durante Cerimônia de Lançamento da Retomada do Turismo, no Palácio do Planalto, em 10 de novembro de 2020
    "Nosso país ainda é um dos que menos recebe turistas estrangeiros, então há um trabalho enorme pela frente, de promoção do Brasil no exterior. E também será preciso preparar a atividade econômica dentro do país. Por isso desejamos toda sorte ao novo ministro Gilson Machado", concluiu.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    COVID-19 e Brasil em meados de dezembro (59)

    Mais:

    Turismo brasileiro devastado pela recessão: retomada completa nem em 2023, diz especialista
    Turismo rural pode ser saída para recuperação do setor no pós-pandemia?
    Pandemia provoca queda de 66% no setor de turismo do Amazonas
    Tags:
    Rio de Janeiro, Ministério do Turismo, Brasil, economia, turismo, pandemia, COVID-19
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar